Alexandre de Moraes afirmou, em uma defesa de 44 páginas, que as suspeitas sobre sua relação com Daniel Vorcaro são resultado de uma “farsa montada”. O documento foi entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, antes do julgamento que decidirá se a investigação contra o ministro será aberta ou arquivada.
A sessão está marcada para as 10h desta terça-feira, 15. Moraes sustenta que a apuração foi feita sem pedido da Procuradoria-Geral da República e sem autorização do plenário do STF. Também classifica como ilegal e enviesado o relatório produzido pela Polícia Federal sob relatoria do ministro André Mendonça.
O ministro nega ter trocado mensagens com Vorcaro sobre a Operação Compliance e diz que não há registros de autoria sua nos dados extraídos do celular do banqueiro. “DIÁLOGOS FANTASIOSOS”, escreveu Moraes ao contestar a interpretação de textos encontrados no aparelho.
Contestação aos dados
Moraes argumenta que houve quebra da cadeia de custódia das provas e que o envio de uma cópia dos dados ao gabinete do relator permitiria a inclusão de arquivos falsos ou a alteração da interpretação do material. Mendonça informou à presidência do STF que recebeu da Polícia Federal uma cópia de segurança dos dados, entregue em março. O arquivo original permanece sob custódia da corporação em Brasília.
Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Moraes também requisitaram acesso aos dados brutos, encaminhados pela Polícia Federal aos respectivos gabinetes.
A defesa ainda rejeita as suspeitas relacionadas a pedidos de Vorcaro para que Moraes atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também foram citados um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Barci de Moraes e Vorcaro, conversas sobre uma possível saída do banqueiro do País, cobranças ligadas ao escritório Barci de Moraes e cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Caso Nabas
Moraes usou o caso do perito criminal João Cláudio Nabas para questionar a atuação de Mendonça. A Polícia Federal informou ter identificado no celular de Vorcaro arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”. Nabas foi alvo de busca e apreensão por suspeita de violação de sigilo funcional e depois foi afastado de suas funções.
Segundo Moraes, Mendonça já tinha conhecimento formal da presença de seu nome no material apreendido, mas não encaminhou o caso ao plenário do STF. O ministro também acusou o relator de ter direcionado a investigação por motivos político-eleitorais e de favorecer um grupo político nas eleições de outubro de 2026.




