Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citam cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, André Mendonça e Nunes Marques. Os registros aparecem em diferentes etapas da investigação da Polícia Federal e têm graus distintos de implicação.
Alexandre de Moraes é o ministro com maior presença nas conversas divulgadas. Segundo o relatório, ele teria editado a versão final de um contrato de R$ 130 milhões entre Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, sua esposa. O banqueiro também teria perguntado ao ministro sobre possíveis operações policiais contra o Banco Master.
As mensagens indicam que Vorcaro viajou a Brasília na véspera de sua prisão e escreveu a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. O banqueiro foi preso no aeroporto em 17 de novembro de 2025, quando tentava deixar o país. O caso ainda deve ser analisado pelo plenário do STF, em sessão a ser marcada.
Outros ministros citados
Dias Toffoli aparece relacionado a uma viagem em jatinho particular de um advogado do Banco Master e a negócios envolvendo o resort Tayayá, no Paraná. A empresa Maridt, da qual Toffoli e seus irmãos seriam sócios, vendeu uma participação no resort a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Toffoli negou amizade ou recebimento de valores do banqueiro e do cunhado.
Após uma reunião fechada entre ministros, Toffoli deixou a relatoria do caso Master no STF e declarou-se impedido de votar temas ligados à investigação.
Gilmar Mendes é citado em duas mensagens sobre um evento jurídico-político organizado pelo Banco Master em Londres, em abril de 2024. Os registros também mencionam um encontro de Gilmar, Toffoli e Moraes com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Não há indícios de ilicitudes de Gilmar nas ocasiões descritas.
André Mendonça não aparece no relatório que retirou parte do sigilo do caso, mas outras mensagens mencionam um encontro com Vorcaro. O ministro afirmou ter encontrado o banqueiro “uma única vez” e que se limitou a ouvi-lo, em conversa sobre créditos de precatórios. Também divulgou notas fiscais de R$ 26,4 mil para contestar a suspeita de que pessoas ligadas a Vorcaro teriam pago seus ternos.
No caso de Nunes Marques, a relação mencionada envolve seu filho, o advogado Kevin de Carvalho Marques. Ele teria recebido R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária em 11 transações de 2024 a 2025. A empresa recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. O filho do ministro disse que os valores eram pagamentos por serviços de assessoria jurídica.
O relatório da Polícia Federal que revelou parte das mensagens foi produzido em 72 horas. Por isso, outras conversas ou relações de autoridades com Vorcaro ainda podem aparecer no decorrer da investigação.



