SÃO PAULO — A Operação Vectura Corrupta, que apura suspeitas envolvendo empresas de ônibus e integrantes do PCC, teve 16 pessoas como alvo de ordens de prisão e mandados de busca e apreensão em 18 endereços. A ação ocorreu em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Entre os investigados está Milton Leite (União Brasil), ex-vereador paulistano e seis vezes presidente da Câmara Municipal de São Paulo. A Justiça decidiu neste sábado (19) que ele permanecerá preso, após audiência de custódia. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou: “Não foram identificadas irregularidades no cumprimento e ele segue preso”.
Investigação e prisão
Leite é alvo de prisão temporária por 30 dias, determinada pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, ele é suspeito de participar de um esquema para infiltrar integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas responsáveis pelo serviço municipal de ônibus em São Paulo.
O pedido de prisão menciona duas situações em que o nome do ex-vereador teria sido citado por terceiros. Ele aparece em um áudio localizado em um celular apreendido e em depoimentos de policiais à Corregedoria da Polícia Militar. As representações da polícia e da Promotoria não apontam pagamentos ou vínculos societários de Leite com empresas ou pessoas investigadas.
O ex-vereador se apresentou em uma delegacia por volta das 16h de sexta-feira, cerca de 38 horas depois de declarar, na manhã de quinta-feira (17), que compareceria à Justiça em 24 horas. Ele não havia sido localizado em sua casa, na zona sul da capital, durante o cumprimento do mandado e passou a ser considerado foragido.
Após a audiência, Leite foi levado a um hospital para avaliação médica. Ele havia passado a noite na cadeia pública de Mogi das Cruzes e teria relatado sintomas de pressão alta pela manhã.
Leite afirma ser “inocente de todas as acusações” e diz que terá “oportunidade de provar tudo”. O advogado Aloísio Lacerda Medeiros declarou que o ex-vereador “não tem nada a ver com a história”. A investigação também apura suspeitas de corrupção de funcionários públicos e de participação do PCC no financiamento de campanhas eleitorais de 2024 e da disputa atual.



