BRASÍLIA — Michelle Bolsonaro ganhou espaço na disputa da direita ao se apresentar com um tom diferente do adotado por Flávio Bolsonaro, seu enteado e candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL). Durante uma carreata eleitoral, ela respondeu com um sorriso a provocações de um homem de esquerda: “Você é Lula, eu sou Jair Bolsonaro e com respeito dá tudo certo”.
Candidata ao Senado do Distrito Federal, Michelle é considerada favorita a conquistar uma vaga nas eleições legislativas de 4 de outubro, mesmo tendo feito pouca campanha e após ser hospitalizada brevemente nesta semana por causa de uma enxaqueca. Se eleita, ocupará seu primeiro cargo eletivo.
A ex-primeira-dama também aparece como possível nome da direita para a eleição de 2030, embora não fale sobre suas ambições futuras. Eduardo Torres, seu irmão, assessor e candidato a deputado distrital pelo PL, afirmou que a candidatura ao Senado é apenas o início e que Michelle é hoje o maior nome político feminino no Brasil.
Base evangélica e relação com Flávio
Michelle tem como principal base política as mulheres evangélicas. Protestante e próxima de pastores conservadores, é vista pela cientista política Graziella Testa, da Universidade Federal do Paraná, como uma interlocutora entre mães e donas de casa evangélicas que seriam mais distantes do bolsonarismo do que os homens.
Embora apoie Flávio, Michelle o acusou em junho de desrespeitá-la e de tratá-la como se fosse idiota durante uma discussão política. Ele pediu desculpas publicamente, e ela disse, em vídeo, que o perdoava. Até agora, não participou dos atos da campanha do enteado. A justificativa é que está cuidando do marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e tem a saúde fragilizada.
Candidatos do interior têm viajado a Brasília para gravar propagandas com Michelle. Para uma fonte do PL, ela saiu fortalecida e já exerce um papel na liderança da direita, apesar de ainda faltar muito para 2030. Flávio afirmou que, se vencer em outubro, não disputará outro mandato, o que abriria a sucessão para 2030.
Como primeira-dama, Michelle cultivou a imagem de uma dona de casa tradicional e de sobriedade. Na posse de Bolsonaro, em 2019, discursou em Libras e levou ao governo a pauta das pessoas com deficiência. Ela também se posiciona contra o aborto e critica o feminismo associado, em sua avaliação, à agenda woke.
Michelle nasceu em 1982, em Ceilândia, Brasília. Filha de um motorista de ônibus e de uma empregada doméstica, vendeu laranjas em um semáforo aos 10 anos. Trabalhou como promotora de vendas e secretária antes de conhecer Jair Bolsonaro, então deputado. Os dois se casaram poucos meses depois, e ele a contratou para trabalhar em seu gabinete.




