Mensagens trocadas entre Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux antes de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram divergências entre os ministros. O julgamento tratava da suposta relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ocorreu nesta terça-feira (15).
Em uma das conversas, Gilmar disse a Nunes Marques que os ministros deveriam “assumam que estão ferrados”. Nunes Marques respondeu: “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”. As mensagens não deixam claro se foram enviadas em um grupo ou em conversas privadas.
Gilmar também afirmou que Nunes Marques deveria deixar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu que ele abrisse suas contas antes de julgar o caso na turma. Nunes Marques disse que prestava contas de tudo havia 15 anos. Na sessão do STF, ele se declarou impedido de votar e deixou o plenário.
Em outra troca, Gilmar criticou a atuação de André Mendonça e afirmou que ela revelava qualquer coisa menos postura institucional. A crítica estava relacionada à velocidade de análise de pedidos da Polícia Federal quando envolviam aliados do governo Lula (PT), segundo Gilmar.
Fux respondeu que Gilmar não deveria dizer a ele como agir. Em seguida, Gilmar pediu que Fux se limitasse a atuar como presidente da turma. Fux encerrou a conversa dizendo que o ministro não deveria incomodá-lo.
Origem do caso
A apuração sobre Moraes começou com informações obtidas pela Polícia Federal na investigação do Banco Master. O relatório apontou contatos entre Moraes e Vorcaro e analisou um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O STF discutia se havia elementos para abrir uma investigação específica contra Moraes. A sessão terminou sem decisão após pedido de vista de Flávio Dino, que suspendeu o julgamento.



