RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18) que o planejamento do golpe de 2022, atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro, envolveu terrorismo de Estado. A declaração foi feita durante um evento sobre ações contra o crime organizado.
Lula citou a previsão de matar o próprio presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Ele associou o plano “Punhal Verde e Amarelo” às investigações da Polícia Federal. Segundo as investigações, o documento foi elaborado pelo general da reserva Mario Fernandes, que ocupou o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro.
Críticas à decisão dos Estados Unidos
A fala ocorreu durante novas críticas à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em maio, os Estados Unidos haviam classificado as duas facções dessa forma.
“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou Lula. Na avaliação do presidente, a violência das facções também produz efeitos terroristas para moradores de periferias, estudantes e pessoas que frequentam bailes ou precisam pagar pedágios impostos por criminosos.
Dois dias antes, o governo Trump havia afirmado que o Brasil “falhou em confrontar” o PCC e o CV. A afirmação consta de um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso americano na terça-feira (15), que também diz que as duas organizações transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
Ações no Rio de Janeiro
Lula esteve no Rio de Janeiro para acompanhar ações integradas dos governos federal, estadual e municipal contra o crime organizado. No evento, assinou convênios voltados a interromper a logística das organizações criminosas e permitir a retomada de territórios dominados por elas.
O presidente também criticou a interferência de políticos na segurança pública e mencionou uma declaração do governador Ricardo Couto sobre a influência de deputados em repartições do estado. “Então, não pode dar certo”, disse Lula.



