SÃO PAULO — Cuba enfrenta apagões que passaram de 30 horas na capital e chegaram a mais de 60 horas consecutivas em outras províncias. O governo cubano atribui a crise a Washington, enquanto os Estados Unidos responsabilizam a gestão econômica interna.
Nesse cenário, Donald Trump afirmou neste sábado (26) que espera alcançar um entendimento com Havana sem recorrer às Forças Armadas. “Eu diria que Cuba e nós faremos um acordo”, disse o presidente a repórteres na Casa Branca. Em seguida, declarou: “Não acho que precisaremos recorrer aos militares.”
A declaração representa uma mudança em relação à ameaça feita por Trump na Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira (22). Na ocasião, ele mencionou a possibilidade de empregar força militar na América Latina e no Caribe. Os principais alvos citados foram os cartéis de drogas do continente, comparados pelo presidente ao Estado Islâmico.
Trump também citou Cuba no discurso. Disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, tentava negociar com a ilha e voltou a defender uma mudança no comando de Havana. A delegação cubana deixou a assembleia durante a fala. Depois, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, acusou Trump de propagar mentiras e afirmou que Cuba tem o direito de ser um país soberano e independente.
Pressão sobre a rede elétrica
A rede nacional cubana depende de sete usinas termelétricas. Desde janeiro, segundo as autoridades da União Elétrica de Cuba (UNE), um bloqueio petrolífero e outras sanções impostas pelo governo americano dificultam a chegada do combustível usado pelas usinas, geralmente diesel importado.
As autoridades da UNE dizem que o fornecimento desse combustível permitiria recuperar a rede com mais rapidez. Havana responsabiliza os Estados Unidos pela situação do sistema elétrico; Washington atribui o problema à má gestão econômica interna.
A relação entre Trump e Cuba tem alternado ameaças e sinais de negociação. Em março, o presidente disse que acreditava ter “a honra de tomar Cuba” e que poderia “fazer o que quiser” com a ilha, chamada por ele de “nação falida”. Em maio, afirmou estar perto de um acordo diplomático, independentemente de uma mudança de regime.



