São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Política

Flávio Bolsonaro avalia reforma do Itamaraty inspirada em Marco Rubio

Plano prevê concentrar a política externa em 35 países e mudar critérios de promoções e atuação dos diplomatas.

Flávio Bolsonaro avalia reforma do Itamaraty inspirada em Marco Rubio

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia uma ampla reforma no Itamaraty caso vença a eleição. A proposta, apresentada por Marcos Degaut em reuniões com diplomatas e formuladores de política externa, é inspirada no modelo adotado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Estrutura e prioridades

O plano prevê concentrar a atuação do Brasil em 35 países considerados prioritários, agrupados no chamado G35. O grupo incluiria as nações do G20. Em vez de distribuir recursos por um número maior de embaixadas, a ideia seria reforçar alguns postos, com mais orçamento e pessoal. Na África, África do Sul e Egito são citados como possíveis superpostos.

As carreiras do Itamaraty seriam reorganizadas por regiões geográficas e temas específicos. Os diplomatas passariam a cumprir metas de exportação, investimentos e inserção comercial. Também está prevista uma revisão do sistema de promoções, com avaliação do desempenho individual e sem que a senioridade seja o critério absoluto.

Degaut afirmou que algumas funções poderiam ser ocupadas por pessoas de fora do Itamaraty, mas disse que não haveria perseguição por motivos políticos. Ele também defendeu a manutenção dos laços econômicos com a China, ao mesmo tempo em que propôs intensificar as relações com os Estados Unidos, inclusive em acordos comerciais e minerais críticos, e reduzir a dependência de Pequim nas exportações de commodities.

O plano cita os Emirados Árabes Unidos como referência e propõe o chamado “realismo propositivo”. A prioridade seria uma aproximação com um Ocidente político, incluindo países do G20, Israel e nações latino-americanas governadas pela direita.

Referência americana e disputa por cargos

No Departamento de Estado, a reforma de Rubio levou à eliminação de 1.300 vagas, ao fechamento de departamentos e postos e à criação de metas quantitativas e qualitativas. O mérito passou a ser apresentado como principal critério para promoções. Sob Rubio, apenas 9% dos embaixadores vêm do serviço diplomático, ante uma faixa de 57% a 74% nos 50 anos anteriores.

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que Degaut e Eduardo Bolsonaro não falam pelo candidato e que não vai se posicionar sobre planos de política externa. Eduardo pode assumir o comando do Itamaraty ou a Embaixada do Brasil em Washington, segundo avaliações mencionadas nas conversas.

Também são cotados para chefiar o ministério Roberto Azevedo, Tereza Cristina e Marcos Troyjo. Degaut poderia atuar no Ministério da Defesa ou no Itamaraty.

Degaut foi secretário Especial de Assuntos Estratégicos no governo de Michel Temer e secretário de Produtos de Defesa no governo Jair Bolsonaro. Também presidiu a operação para a América Latina do Edge Group, indústria de armamentos dos Emirados Árabes. Indicado para a Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes, não chegou a assumir.

Promoções na carreira diplomática

A insatisfação com a lentidão das promoções e a falta de perspectivas de ascensão é disseminada no Itamaraty. Entre 2006 e 2010, quase 535 diplomatas foram admitidos, mas há limites para promoções e para o número de postos. Alguns diplomatas estão há mais de dez anos sem promoção.

Gustavo Buttes, presidente da Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros, afirmou que “o principal problema hoje é o imobilismo dentro da carreira”. O Itamaraty informou que houve 615 promoções nos quatro anos do governo Bolsonaro e 622 nos quatro anos do atual mandato de Lula. O ministério também disse ter adotado medidas para ampliar a diversidade e alterado o quadro de acesso às promoções.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.