São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça sobre comando da PF

Ministros do STF não têm hierarquia entre si; plenário deverá analisar o conflito em sessão extraordinária em 15 de setembro.

Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça sobre comando da PF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu as decisões de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Com a medida, os atos que afastaram e reintegraram integrantes da corporação deixaram de produzir efeitos.

Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do chefe de Inteligência, Leandro Almada. Dino decidiu depois pela volta dos dois aos cargos, em outro processo. Fachin avaliou que as decisões tratavam dos mesmos fatos e autoridades e apontou risco de conflito entre ordens judiciais.

A medida também interrompeu o andamento do processo relatado por Mendonça até nova decisão. Fachin ainda suspendeu procedimentos relacionados a eventual investigação de ministros do STF e marcou uma sessão extraordinária presencial do plenário para 15 de setembro.

Não há prevalência entre decisões individuais

Especialistas em Direito Constitucional e Processual Penal afirmam que decisões individuais de ministros do STF estão no mesmo nível hierárquico. A ordem de Dino não se tornou superior à de Mendonça apenas por ter sido proferida depois.

Pedro Serrano, professor da PUC-SP, afirmou que o caso envolve decisões conflitantes, tomadas separadamente sobre a permanência de Andrei no cargo e em processos diferentes. Para ele, a solução cabe ao plenário, que reúne os dez ministros e está acima das turmas.

A decisão de Mendonça havia sido encaminhada para análise da Segunda Turma, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes. Antes da retomada, Dino determinou a reintegração de Andrei.

O advogado Aury Lopes Jr. disse que não há regra interna nem precedente que autorize um ministro a derrubar sozinho a decisão de outro. “Não existe essa prevalência, estão no mesmo plano horizontal”, afirmou.

A suspensão de Fachin deixou as duas decisões sem vigência. Segundo Serrano, o conflito entre ordens de autoridades no mesmo nível deve ser resolvido por uma instância superior, sem que uma delas prevaleça antes dessa definição.

Situação de Andrei depende de outro processo

A permanência de Andrei no cargo também será analisada em um pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União, que tramita separadamente sob a presidência do STF. O policial foi intimado a prestar informações em até 48 horas; depois disso, Fachin decidirá sobre a situação nesse procedimento.

Mendonça relata processos relacionados à Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na transferência de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco Regional de Brasília. Em agosto, o ministro pediu informações à PF sobre a rede de influência do banqueiro Daniel Vorcaro.

Dino conduz um processo sigiloso sobre suposto direcionamento de emendas parlamentares para a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Foi nesse caso que Andrei solicitou a reintegração ao cargo.

O episódio ocorre em meio a questionamentos sobre o STF iniciados em dezembro de 2025, após Dias Toffoli assumir a relatoria do caso Master. A mudança ocorreu depois de um pedido da defesa de Vorcaro para levar as investigações ao Supremo, sob alegação de ligação com políticos com foro especial.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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