Entidades empresariais articuladas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pedem que o Supremo Tribunal Federal (STF) examine, em sessão pública, os fatos relacionados à crise institucional que atinge o país. Até o momento, o manifesto reúne a assinatura de 2.650 entidades representativas de classe.
O documento, chamado “Manifesto à Nação Brasileira”, afirma que o STF é o guardião da Constituição, mas também deve prestar contas. As entidades defendem julgamentos transparentes, decisões fundamentadas e imparcialidade dos ministros.
A principal reivindicação é que o Plenário do Supremo analise os fatos “sem subterfúgios e sem corporativismo”. O texto também afirma que a sociedade não pode esperar por uma resposta indefinidamente e que a falta de legitimidade compromete a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a paz social.
As adesões foram encerradas às 12h desta terça-feira, 8, e o manifesto deve ser divulgado ainda nesta terça-feira. A Fiesp organiza a mobilização, mas não respondeu aos pedidos de manifestação. O presidente da entidade, Paulo Skaf, também não atendeu.
A iniciativa ocorre após a Polícia Federal revelar 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a um número identificado pela corporação como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes. As mensagens citam o uso de aeronaves e contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Empresários envolvidos na organização afirmam que o momento exige uma posição do setor privado e defendem que as entidades não se omitam. Foram procuradas organizações dos setores de automóveis, indústria têxtil, construção, mercado imobiliário, financeiro, agronegócio, comércio, cooperativas e advocacia.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e o Sindicato Nacional da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares (Sinfavea) confirmaram a assinatura.
Entidades ligadas à agroindústria e ao setor têxtil demonstraram receio de aderir ao movimento durante o período eleitoral. Entre as preocupações estão a possibilidade de “contaminação do pleito”, a interpretação do manifesto como movimento político e eventuais retaliações em processos julgados pelo STF.
Uma versão preliminar defendia o afastamento de autoridades suspeitas ou acusadas da análise de processos relacionados a elas. Essa proposta foi descartada, e a versão atual deixou de pedir o afastamento de ministros do Supremo.




