WASHINGTON — O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (17) que se considera um dissidente político e elogiou a inclusão dessa referência em uma proposta apresentada pelo governo de Donald Trump ao Brasil durante as negociações sobre o tarifaço, em outubro de 2025.
“Os Estados Unidos são uma referência quando se fala em democracia e, numa democracia, tem que ter ampla participação dos dissidentes”, disse Eduardo. Segundo ele, a preocupação americana seria evitar que situações observadas na Venezuela se espalhassem pela região.
A proposta apresentada pelos Estados Unidos incluía 21 exigências para a retirada da tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros. Entre os pontos estava a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral. O documento não identificava quem seria enquadrado nessa categoria, e o Departamento de Estado não comentou o conteúdo.
Questionado sobre o tema, o comentarista político Paulo Figueiredo afirmou que Eduardo e seus aliados se enquadram como dissidentes. “Como é que se chama alguém que, ao criticar as autoridades de um país, tem que se exilar em outro? O termo é dissidente. Não tem outro nome”, disse.
Eduardo foi condenado em junho de 2026, por unanimidade, pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicialmente semiaberto, por coação no curso do processo. A condenação está relacionada à atuação dele nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista.
Sanções contra ministros do STF
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estão em Washington para reuniões com integrantes do governo Trump. Eles afirmaram que teriam encontros com autoridades de alto escalão do Departamento de Estado e da Casa Branca, sem informar os nomes dos interlocutores.
Os dois disseram que pretendiam discutir a retomada das sanções da Lei Global Magnitsky contra Alexandre de Moraes e medidas contra outros ministros do Supremo, entre eles Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Eduardo também afirmou ver, em manifestações de ministros do STF durante a sessão da última terça-feira (15), uma preparação para contestar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Ele citou críticas à atuação de André Mendonça no caso Master e a anulação da eleição presidencial da Romênia como elementos que poderiam ser usados para sustentar uma tese de interferência no processo eleitoral brasileiro.
“Eu vejo a preparação de uma narrativa pra tentar anular a eleição brasileira”, afirmou. Eduardo atribuiu a Moraes interesse pessoal no resultado, sem apresentar provas, e disse ter levado essa preocupação a integrantes do governo Trump.




