SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação sobre uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter e contratos firmados pelo município de São Paulo. O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e envolve a atuação do ministro André Mendonça em um processo sobre cemitérios privados.
A ação discute regras para o funcionamento de cemitérios privados no estado. Em abril de 2025, Mendonça apresentou voto contrário à manutenção de uma medida cautelar que afetava essas empresas, em posição alinhada aos pedidos do setor.
Contratos e vínculos citados
Na solicitação, Dino mencionou que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, atua na área funerária e cemiterial da SP Regula, responsável pela regulação de serviços públicos de São Paulo.
Dino também afirmou que André Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teriam se encontrado em 2025 na sede do Instituto Iter, entidade fundada pelo ministro. A análise relaciona o instituto a contratos com o município de São Paulo, que participa da contratação de empresas privadas do setor funerário, como a Cortel.
O ministro citou ainda Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que trabalhava na Cortel. Segundo a solicitação, o Instituto Iter também teria firmado, sem licitação, contrato de aproximadamente R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação, para serviços técnicos na área de formação e gestão educacional.
A investigação deverá esclarecer se há relação entre o encontro de Vorcaro e Mendonça, o Instituto Iter, os contratos mantidos pela entidade e a atuação do ministro no processo sobre os cemitérios privados de São Paulo.



