O boato de que Flávio Bolsonaro apoiaria a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil gerou 180.857 comentários em 20 horas, segundo levantamento da Vox Radar. As menções partiram de 139.677 perfis e receberam 902 mil curtidas.
Flávio Bolsonaro negou duas vezes ter apoiado a proposta. Em declaração a jornalistas, afirmou: “É mentira que apoiei projeto para retirar Aparecida como padroeira do Brasil. Respeito todas as religiões.”
Os primeiros comentários surgiram na noite de quinta-feira, 24. O volume aumentou na manhã de sexta-feira, 25, e atingiu o pico às 14h, com 33 643 comentários na hora. Nas cinco primeiras horas, 92% dos comentários que assumiam posição acreditavam no boato, conforme a Vox Radar.
A origem da narrativa foi associada ao projeto legislativo 2.623/2007, apresentado pelo então deputado e pastor da Assembleia de Deus Victorio Galli. A proposta previa trocar “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos” e foi arquivada em 2008. Galli foi assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro em 2019.
Polarização nas redes
A Vox Radar identificou que 36% dos comentários desmentiam ou não acreditavam no boato, enquanto 26% demonstravam acreditar nele. Entre os usuários declarados católicos, 47% acreditavam na narrativa e 14% a desmentiam.
Entre os comentários sem identificação política, foram 44.712 registros: 32% acreditavam no boato, 9% o desmentiam e 33% não assumiam posição. Na direita, 72% desmentiam a informação; na esquerda, 65% acreditavam nela.
A empresa apontou que os comentários de quem desmentia foram 1,4 vezes mais numerosos, mas os favoráveis ao boato somaram 2,2 vezes mais curtidas. O projeto de lei foi citado em 4.401 comentários.
Na noite de sexta-feira, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro André Mendonça, determinou que Meta, X, TikTok e YouTube removessem imediatamente publicações relacionadas à narrativa. A decisão classificou como inverídica a associação entre Flávio Bolsonaro ou sua família e uma proposta para retirar Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil.



