O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que o relatório usado para embasar um pedido de investigação contra o ministro André Mendonça foi produzido por determinação de Alexandre de Moraes.
A declaração foi apresentada nesta sexta-feira (11), em documento no qual Rodrigues defende a “absoluta licitude” dos materiais elaborados pela corporação. Ele também afirmou que a PF atuou em cumprimento do dever legal e de ordens judiciais no inquérito das fake news, que tramitava no STF sob relatoria de Moraes.
Segundo o diretor-geral, a corporação não investigou nem monitorou autoridade com foro por prerrogativa de função por meio dos relatórios. Rodrigues disse ainda que a PF não provocou a divulgação do conteúdo sigiloso nem fez encaminhamentos externos por iniciativa própria, exceto para cumprir ordem judicial do Supremo.
As explicações foram encaminhadas após André Mendonça determinar, na terça (8), o afastamento preventivo de Rodrigues do comando da Polícia Federal. A decisão ocorreu depois de Moraes usar um relatório interno da corporação para pedir uma apuração contra o próprio Mendonça.
Moraes solicitou que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social. Para Moraes, o ministro direcionou as investigações com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a grupos políticos.
O episódio também levou ao afastamento preventivo de Leandro Almada, diretor de Inteligência da Polícia Federal, e ampliou o embate entre os dois ministros. Na decisão, Mendonça classificou o material produzido pela corporação com termos como surreal e inimaginável e ironizou o uso da palavra documento para descrevê-lo.




