MACAPÁ — Davi Alcolumbre (União Brasil) tenta reverter a vantagem de Dr. Antônio Furlan (PSD) na disputa pelo governo do Amapá, enquanto preserva a força política necessária para sua reeleição ao Senado, em 2030. Pesquisa Quaest realizada de 21 a 24 de agosto mostra o ex-prefeito com 55% das intenções de voto, contra 35% do governador Clécio Luís (União Brasil), aliado do senador.
A estratégia de Alcolumbre combina presença no estado, articulação em Brasília e apoio de uma ampla aliança. Ele indicou dois ministros de Estado, controla emendas parlamentares e mantém influência sobre cargos federais, incluindo a direção da Codevasf. A estatal foi levada ao Amapá durante sua atuação política para executar obras e distribuir máquinas.
O senador também conta com 90% dos deputados estaduais e federais, 15 dos 16 prefeitos, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e Clécio Luís. Sua coligação reúne 12 partidos. O presidente Lula esteve no estado durante a campanha.
A força de Furlan
Furlan disputa a eleição com o apoio de quatro partidos, mas lidera impulsionado por shows gratuitos, presença nas redes sociais e obras realizadas em Macapá. Em 2024, foi reeleito prefeito com 85% dos votos. A capital concentra 55% dos 577 mil eleitores do Amapá, enquanto outros 15% estão na região metropolitana.
O ex-prefeito apresenta-se como “prefeitão” e promete levar “seu modelo de gestão” ao restante do estado. A infraestrutura construída em sua gestão teve origem, em parte, em R$ 87 milhões de emendas parlamentares e R$ 381 milhões da privatização do saneamento, recursos que haviam sido planejados para a administração de Josiel Alcolumbre.
Em Itaubal, moradores associam a atuação do senador à chegada de investimentos. Foram construídas praças, escolas, unidades básicas de saúde e uma nova sede para a prefeitura. Uma UBS recém-reformada, um conjunto habitacional com 21 casas e uma escola em construção receberam recursos de emendas ligadas a Alcolumbre.
“Nós vamos vencer pela política. Anota o que eu digo, vamos virar”, afirmou o senador. Ele também defendeu as emendas: “Se não fossem as emendas, o Amapá estaria ainda na década de 1940.”
Disputa judicial
O grupo de Alcolumbre também aposta no Judiciário. O principal aliado de Furlan, que era vice-prefeito de Macapá, está afastado desde março por decisão do STF, e a prefeitura passou a ser administrada por um aliado do presidente do Senado.
O Ministério Público Eleitoral acusa Furlan de tentar burlar a Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao cargo em março deste ano, após um pedido de impeachment por agressão a um jornalista. O candidato afirma que a Câmara Municipal fraudou o protocolo e acelerou o processo para tirá-lo do cargo.
A candidatura de Furlan está autorizada, mas há recurso no TSE, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. O resultado da eleição pode alterar a estrutura política estadual e a disputa pelas vagas ao Senado, incluindo a de Rayssa, esposa de Furlan e favorita para uma delas.



