Hashim Thaci, ex-presidente do Kosovo, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes de guerra cometidos durante a separação do território da Sérvia, na década de 1990. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (16/09) por um tribunal em Haia.
As acusações incluem o assassinato de 96 opositores políticos e supostos colaboradores das forças de segurança sérvias. O tribunal também responsabilizou Thaci por participação em um plano para prender, deter e, quando necessário, matar pessoas consideradas opositoras dos objetivos políticos e militares do Exército de Libertação do Kosovo (ELK), que ele comandava.
A sentença abrange ainda a detenção ilegal e arbitrária de 385 pessoas, a tortura de 303 e o tratamento cruel de 49. O tribunal afirmou que nenhuma das vítimas participava ativamente dos combates quando os crimes foram cometidos.
Condenações dos ex-comandantes
Outros três ex-comandantes de alto escalão do ELK também foram condenados: Jakup Krasniqi recebeu pena de 25 anos, Rexhep Selimi, de 13 anos, e Kadri Veseli, de 18 anos.
O juiz presidente, Charles Smith, disse que as vítimas foram mantidas em condições desumanas, espancadas e confinadas em celas minúsculas, sem alimentação ou cuidados médicos suficientes. O tribunal afirmou que Thaci, Veseli, Selimi e Krasniqi contribuíram significativamente para um objetivo criminoso comum.
Os promotores haviam pedido 45 anos de prisão para os quatro réus. Eles, porém, foram absolvidos de seis acusações de crimes contra a humanidade. Segundo o painel de três juízes, não foi demonstrado que esses crimes ocorreram como parte de ataques generalizados ou sistemáticos contra a população civil.
Thaci negou todas as acusações e pode recorrer da sentença. Ele renunciou à Presidência e se entregou ao tribunal depois de ser indiciado em 2020. Desde então, permanece detido em Haia. O período já cumprido será descontado da pena.




