DUBLIN — A política de juros do Banco Central Europeu (BCE) não reage de forma automática às oscilações dos preços de energia, afirmou a presidente da instituição, Christine Lagarde, nesta sexta-feira (18). As decisões também levam em conta os efeitos sobre o crescimento e o consumo.
Após a reunião do Eurogrupo, Lagarde disse ter explicado aos ministros a elevação de 25 pontos-base promovida pelo BCE na semana passada. Segundo ela, a medida foi necessária para manter o compromisso de conduzir a inflação à meta de 2% no médio prazo. A dirigente afirmou que a incerteza continua influenciando o cenário econômico.
“Os juros não se movem em sincronia com o preço da energia”, disse Lagarde. Ela acrescentou que as variações nos custos energéticos afetam os preços e repercutem sobre outros componentes avaliados na condução da política monetária, incluindo crescimento e consumo.
A presidente do BCE também defendeu que a legislação sobre o euro digital avance até o fim do ano. Para segunda-feira, anunciou o lançamento de uma iniciativa que permitirá aos bancos fazer transações entre si usando ativos tokenizados e tecnologia de registro distribuído.
O presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, afirmou que o crescimento da zona do euro deve continuar até o fim do ano, mas citou riscos relacionados à energia e ao aperto das condições financeiras. Ele pediu mais rapidez na busca por independência energética e a manutenção da disciplina fiscal.
Valdis Dombrovskis, comissário europeu de Economia, disse que a região teve desempenho acima do esperado no primeiro semestre. A Comissão Europeia, porém, prevê desaceleração no próximo ano. Dombrovskis também alertou para a alta dos rendimentos dos títulos soberanos e defendeu políticas fiscais prudentes.




