BRASÍLIA — O senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB) destinou R$ 210 milhões em emendas, em 2023, à ampliação da BR-230 na Paraíba. Parte da obra foi executada por empresas ligadas a parentes e ex-sócios de dois assessores que passaram por seu gabinete.
Os recursos incluíram R$ 160 milhões indicados pelo senador como emendas de relator e R$ 50 milhões da Comissão de Infraestrutura do Senado. A obra, iniciada em 2017 e suspensa no ano seguinte, foi retomada em 2023.
Dois consórcios executam os serviços: um em trecho de Campina Grande e outro em trajeto de Cabedelo. Os consórcios subcontrataram a Selecta Construções e a Comtech, depois substituída pela Com Infraestrutura e Mineração.
Empresas contratadas
Na época da contratação, a Comtech tinha como sócio Rodrigo Neves, que trabalhou no gabinete de Veneziano até 2017. O contrato com um dos consórcios foi assinado por ele em 2 de setembro de 2024, antes de sua entrada formal na sociedade, em 20 de setembro de 2024. Rodrigo permaneceu no quadro social até junho de 2025.
A empresa havia feito uma proposta comercial em 3 de março de 2024, quando se chamava Aqualimp Carcinicultura e tinha como atividade a criação de camarões e peixes. Em 8 de maio, passou a se chamar Comtech e mudou seu objeto para construção e sinalização de rodovias.
A Com Infraestrutura e Mineração pertence a Edenilton Coelho, ex-sócio de Rodrigo, e a Gabriel Mattos. A empresa foi criada em 8 de outubro, com o mesmo endereço e telefone da Comtech. Em novembro de 2024, funcionários da Comtech que atuavam na obra foram transferidos para a nova empresa.
A Selecta, contratada para alugar máquinas usadas na obra no mesmo ano da retomada, pertence a Romulo Pires Neto, cunhado de Rodrigo. Marcelo Neves, irmão de Rodrigo, trabalha no gabinete do senador desde 2019.
Veneziano disse que sua atuação se limitou ao envio das emendas. “O senador não participa de licitações, não escolhe empresas, não indica subcontratadas, não autoriza pagamentos e não interfere na fiscalização de contratos”, afirmou.
A LCM Construção e Comércio, integrante do consórcio de Campina Grande, declarou que a contratação da Comtech foi precedida de análise documental e operacional. A empresa também afirmou que não houve interferência de agentes públicos nas contratações e que o contrato, de cerca de R$ 550 milhões, é fiscalizado e auditado pelos órgãos competentes.
O Dnit na Paraíba informou que os serviços seguem em execução, sem interrupções. O órgão é responsável pela fiscalização e registrou R$ 397 milhões em pagamentos desde 2023, dos quais cerca de R$ 38,9 milhões vieram de emendas parlamentares.
O superintendente regional do Dnit é Arnaldo Monteiro, indicado por Veneziano em abril de 2023. Arnaldo deixou o cargo para disputar a Prefeitura de Esperança pelo MDB em 2024 e foi substituído pelo irmão, Antonio Monteiro. Após perder a eleição, voltou ao posto em 2025.



