SÃO PAULO — O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deixou uma entrevista sem responder a uma pergunta sobre a investigação do vice-governador Felício Ramuth e da esposa dele, Vanessa Ramuth, em Andorra. O casal é alvo de apuração por suspeita de lavagem de dinheiro no país europeu.
Tarcísio havia participado da inauguração de uma área de lazer em Embu das Artes, na região metropolitana. Ele respondeu a perguntas sobre outros assuntos, mas saiu do local quando seria questionado sobre o caso envolvendo Ramuth. O governo paulista afirmou que o governador conversou com a imprensa por cerca de 15 minutos e respondeu a seis perguntas de diferentes veículos.
Investigação e bloqueio de valores
A Justiça de Andorra bloqueou US$ 1,4 milhão em uma conta atribuída ao casal. O valor equivale a R$ 7,2 milhões em cotação atual e permanece indisponível. A conta é mantida no AndBank.
O governo de São Paulo afirmou que não há acusação contra Ramuth e Vanessa nem processo aberto no Brasil. De acordo com a manifestação, a investigação envolve o banco. A administração estadual também declarou que os esclarecimentos foram prestados diretamente em Andorra, que não há nova oitiva marcada e que os recursos foram declarados, com os impostos pagos.
Ramuth afirma que os valores são lícitos e foram informados à Receita Federal no Brasil. Em declaração, disse que não há acusação formal contra ele ou a esposa, mas uma investigação relacionada ao banco.
O procedimento preliminar começou em 30 de maio de 2023, depois que o Ministério Público de Andorra recebeu um relatório de inteligência financeira e pediu diligências contra o casal. A apuração busca verificar possíveis responsabilidades penais e civis relacionadas a eventual lavagem de dinheiro. As autoridades também solicitaram o bloqueio dos valores.
Ramuth e Vanessa foram ouvidos presencialmente em Andorra em 2 de outubro do ano passado, acompanhados pela defesa. A oitiva foi gravada, mas seu conteúdo não foi divulgado. A defesa apresentou a audiência em uma petição ao Superior Tribunal de Justiça, acionado pelo Ministério da Justiça após Andorra pedir cooperação bilateral para localizar os investigados e permitir a defesa.
Na ocasião, o casal foi informado sobre uma decisão de 8 de junho de 2023 que determinou o bloqueio patrimonial. Segundo os autos, a conta era usada para canalizar fundos de origem ilícita. A defesa pediu que o caso fosse encerrado no STJ e tratado apenas no âmbito internacional.




