BRASÍLIA — Flávio Bolsonaro (PL) procurou Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda, presidentes do PP e do União Brasil, para pedir apoio em um eventual 2º turno da eleição presidencial. As duas siglas formam a federação União Progressista e precisam tomar uma decisão conjunta.
A aliança é avaliada com duas condições: a possibilidade de ocupar espaço em um eventual governo bolsonarista e a permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado. O PL, por outro lado, trabalha para eleger um presidente da Casa alinhado à pauta do impeachment de ministros do STF.
Cálculo de Ciro Nogueira
Ciro Nogueira está propenso a apoiar Flávio Bolsonaro na segunda fase da disputa. Aliados dizem que o senador se irritou com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi ao Piauí, chamou-o indiretamente de “vira-lata” e apoiou adversários do PP na eleição para o Senado.
Nogueira precisa de votos lulistas para se reeleger senador pelo Piauí. Na última eleição, o estado deu 74,25% dos votos ao petista no primeiro turno. O acordo anterior previa que Lula não atacaria diretamente o presidente do PP e concentraria apoio em Marcelo Castro (MDB), deixando Júlio César (PSD) fora dessa articulação.
Com o apoio de Lula a Júlio César e a oposição a Ciro Nogueira, o PP deixou de ter compromisso com a neutralidade na eleição presidencial. Aliados afirmam que Flávio também garantiu que não iria ao Piauí antes do primeiro turno para não expor a relação entre os dois ao eleitorado do estado.
Senado pesa na decisão
União e PP querem aguardar o resultado do primeiro turno e o tamanho das bancadas eleitas no Congresso. O União Brasil prioriza a manutenção de Alcolumbre no comando do Senado, enquanto o PL acredita que terá maioria para eleger um presidente favorável ao impeachment de ministros do STF.
A eleição para a presidência do Senado, em fevereiro de 2027, pode dificultar o apoio a Flávio. Uma reunião dos presidentes da federação com a bancada eleita está marcada para 6 de outubro, em Brasília. A decisão sobre a posição nacional da legenda deve sair desse encontro.
No Republicanos, dirigentes defendem distância da disputa presidencial. No PSD, aliados de Lula trabalham pela neutralidade, enquanto Ronaldo Caiado tende a apoiar Flávio Bolsonaro. Gilberto Kassab, presidente nacional do partido e vice de Caiado, tende à neutralidade e deve encarecer qualquer apoio.



