FLORIANÓPOLIS — A Fazendas Bioma, criada pelo casal Laíla Ribeiro e Leonardo Corrêa, produz até 1.850 bandejas de microverdes por semana e fatura R$ 50 mil por mês. A empresa começou com uma fazenda vertical montada no quarto da casa dos empreendedores, no Campeche, e agora prepara a expansão por franquias.
A operação funciona em uma sala comercial no mesmo bairro do Sul da Ilha e reúne quatro fazendas verticais. São cultivadas entre 20 e 25 espécies, vendidas para 95 pontos, entre restaurantes e supermercados. O volume comercializado varia de 1.200 bandejas semanais na baixa temporada a 1.600 na alta.
Tecnologia para cultivo em ambiente fechado
Os microverdes são hortaliças colhidas nos primeiros estágios de desenvolvimento. Na empresa, são comercializados ainda vivos, plantados em substrato, para uso em saladas, sanduíches, massas e outros pratos. Entre as espécies cultivadas está o repolho roxo.
O cultivo ocorre em estruturas com iluminação artificial, irrigação automatizada e controle de temperatura e umidade. As bandejas são organizadas verticalmente, o que permite manter a produção dentro de uma sala comercial.
A empresa desenvolveu um biofilme com sementes incorporadas. O material se dissolve em água e é aplicado sobre uma manta de fibra de coco, com o objetivo de padronizar a produção e facilitar o plantio. Segundo Leonardo, a tecnologia tem pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Um aplicativo criado pelos próprios empreendedores monitora a operação, incluindo iluminação, irrigação e planejamento da produção. A plataforma cruza dados de clientes e da produção para indicar quando cada bandeja deve ser plantada. “A gente vende um estoque futuro de produção. Então, o microverde ainda está na fazenda, mas já está vendido”, explica Leonardo.
Da estrutura em casa às franquias
Laíla é advogada e Leonardo, engenheiro de produção civil. Depois de viverem uma temporada em São Paulo, os dois retornaram a Santa Catarina. A ideia surgiu durante um MBA em gestão do varejo, quando Laíla conheceu o conceito de fazendas verticais.
O protótipo foi montado em casa e, em 2019, o casal foi selecionado para um programa de aceleração de startups de equipamentos. Na transferência da estrutura para o local do programa, o equipamento não passou pela escada e precisou ser baixado pela varanda com cordas.
Em 2022, a startup recebeu um aporte-anjo de R$ 400 mil. Dois anos depois, obteve mais R$ 702 mil pelo programa Tecnova, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
A empresa já vendeu um equipamento para Foz do Iguaçu, no Paraná, e licenciou a marca para um casal de Gramado, no Rio Grande do Sul. O modelo prevê salas comerciais com pelo menos três fazendas para abastecer cada região. Há interessados em cidades do Paraná, de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
“A nossa meta é, nos próximos 24 meses, ter 30 franquias. E em cinco anos, chegar a 150”, afirma Leonardo.



