A AT&T ampliou de 20% para 40% a participação de modelos abertos em seu uso de inteligência artificial e estima chegar a 60% nos próximos meses. A mudança foi motivada pela alta dos custos e levou a companhia a buscar sistemas que podem ser baixados e modificados sem pagamento ou autorização.
Andy Markus, diretor de dados e inteligência artificial da AT&T, disse que a empresa economizava até 80% em comparação com o início do ano. A companhia usa modelos de pesos abertos personalizados para transcrever chamadas e criar ferramentas de atendimento ao cliente.
A adoção também avançou entre outras empresas americanas, como Airbnb e Deloitte. No mês passado, os modelos abertos representaram 58% do uso de IA entre usuários dos Estados Unidos da OpenRouter, plataforma que permite escolher diferentes sistemas para executar tarefas. Um ano antes, essa participação era de 10%.
A Nvidia anunciou a compra da Hugging Face, biblioteca de modelos de IA abertos, por US$ 12,9 bilhões. “Juntos, tornaremos a IA mais aberta, mais capaz e mais acessível para pessoas e instituições em todo o mundo”, disse Jensen Huang, CEO da Nvidia.
Os modelos abertos incluem sistemas de código aberto, que divulgam o código subjacente, e modelos de pesos abertos, que tornam públicos os cálculos numéricos usados pelo sistema.
Empresas chinesas como Moonshot AI, DeepSeek e Alibaba estão entre as principais desenvolvedoras dessa tecnologia. Segundo Jerry Tang, CEO da Atlas Cloud, alguns desses modelos têm entre 80% e 90% da capacidade dos sistemas da OpenAI e da Anthropic, mas custam apenas 20% do preço.
A diferença de custo pressiona OpenAI e Anthropic, que cobram assinaturas e outras taxas enquanto ampliam os gastos com pesquisa, desenvolvimento e poder computacional. As duas empresas também caminham para ofertas públicas iniciais de ações de grande porte.
Os modelos abertos ganharam força depois que a DeepSeek lançou o DeepSeek-V3 no ano passado. O sistema se aproximou do desempenho de modelos fechados avançados e exigia menos poder computacional. Atualmente, alguns modelos abertos podem ser executados em celulares ou laptops, de acordo com David Stout, CEO da WebAI.
A maior parte das empresas americanas ainda combina modelos abertos e fechados. Os sistemas fechados são usados em tarefas mais pesadas, como programação e geração de imagens e vídeos. Os abertos costumam ser aplicados em tarefas simples e especializadas.
A AT&T pesquisa modelos chineses, mas não os utiliza por preocupações com regulamentação e privacidade de dados. A companhia trabalha com alternativas americanas, como o Gemma, do Google, e os modelos Llama, da Meta.
A Meta transformou seu principal sistema de IA em um modelo de pesos abertos e afirmou que cobraria menos que outros modelos americanos de ponta. Mark Zuckerberg defendeu que os modelos americanos abertos sejam os melhores do mundo.
O avanço dessa tecnologia ampliou a divergência sobre regulação. Dario Amodei, CEO da Anthropic, defende regras rígidas para reduzir riscos à segurança nacional. Huang e Zuckerberg consideram o código aberto fundamental para um ecossistema de IA democrático e equilibrado. Após o lançamento do ChatGPT, em 2022, empresas e usuários haviam priorizado modelos fechados.



