GENEBRA — A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) levou ao Fórum Público da Organização Mundial do Comércio (OMC) discussões sobre os impactos das crises globais no agro e os desafios para medir serviços ligados à agricultura. O evento foi realizado de 15 a 17 de setembro, em Genebra, na Suíça, com 540 palestrantes em 113 sessões.
A entidade foi representada por Isadora Barbosa de Souza, assessora de Relações Internacionais. Ela participou de painéis, mesas-redondas e reuniões com o secretariado da OMC e os presidentes dos Comitês de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) e de Agricultura da organização. As conversas trataram das negociações em andamento e das atualizações das pautas dos colegiados.
Custos e segurança alimentar
Em painel promovido pela Organização Mundial dos Agricultores (WFO), os participantes discutiram como conflitos geopolíticos, eventos climáticos extremos, restrições comerciais e problemas logísticos afetam os custos de produção, as cadeias de abastecimento e a segurança alimentar.
Segundo Isadora, os efeitos chegam às propriedades rurais por meio da alta nos custos de fertilizantes, energia, transporte, crédito, seguros e outros insumos.
Em outro painel, organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o foco foi a identificação e a mensuração do comércio de serviços relacionados à agricultura. A lista inclui assistência técnica, capacitação rural, inteligência artificial, genética animal e vegetal, agricultura de precisão, rastreabilidade, certificação e logística.
De acordo com a CNA, esses serviços podem ser prestados digitalmente ou incorporados aos produtos agropecuários, dificultando seu registro nas estatísticas tradicionais. Isadora apresentou a experiência brasileira e citou a atuação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) na formação profissional e na assistência técnica e gerencial aos produtores.
A assessora também afirmou que a discussão reforçou a necessidade de ampliar e aprimorar a coleta de dados para apoiar políticas públicas, investimentos e negociações comerciais. A avaliação da participação incluiu a defesa de um sistema de comércio baseado em regras, com mais previsibilidade e segurança jurídica para produtores exportadores.



