China e Estados Unidos chegaram a um entendimento para recomendar condições tarifárias mais favoráveis a mercadorias avaliadas em US$ 30 bilhões em cada direção do comércio bilateral. O anúncio foi feito pela Casa Branca na sexta-feira (25/09), após a visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington e o encontro com Donald Trump.
O valor total alcançado pelo entendimento chega a US$ 60 bilhões, considerando os dois fluxos comerciais. O acordo, porém, não representa uma redução já efetivada sobre todas essas mercadorias. O comunicado norte-americano fala em recomendações para conceder tratamento tarifário mais favorável, sem informar a lista completa de produtos nem as alíquotas.
Entre os itens dos Estados Unidos que poderão receber condições melhores na China estão produtos agrícolas, peixes e frutos do mar, madeira, cosméticos e dispositivos médicos. No sentido contrário, a relação inclui pequenos eletrodomésticos, brinquedos, artigos de decoração para festas e cadeirinhas infantis para automóveis destinadas ao mercado norte-americano.
O entendimento também prevê estruturas permanentes de negociação. O Conselho de Comércio EUA-China passou a funcionar após ter sido criado durante a reunião entre Trump e Xi em Pequim, em maio de 2026. O órgão deverá discutir barreiras comerciais e acesso a mercados, inclusive no setor agrícola. Também foi anunciada a criação do Conselho de Investimentos EUA-China, voltado a oportunidades de negócios e obstáculos para empresas dos dois países.
Energia, minerais e tecnologia
A China deverá comprar pelo menos 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos em 2027 e novamente em 2028. A Casa Branca apresentou a medida como parte dos esforços para ampliar as exportações norte-americanas e fortalecer o setor carbonífero.
Os governos continuam discutindo o fornecimento de terras raras e outros minerais críticos. O comunicado não detalha novas medidas nem fixa prazo para a normalização dos fornecimentos. Trump também pediu a Xi que ampliasse a produção chinesa de derivados refinados de petróleo, com o objetivo de contribuir para a estabilização da oferta mundial.
Os presidentes concordaram ainda em criar um canal bilateral para incidentes ligados às tecnologias denominadas superinteligência pelos Estados Unidos. Uma nova rodada de conversas está prevista para novembro de 2026. Trump e Xi também trataram de Rússia, Coreia do Norte, Irã e controle de armamentos, além de manifestarem apoio às respectivas presidências do G20 e da Apec.
O Ministério do Comércio chinês havia informado, em comunicado divulgado em setembro, que as equipes econômicas dos dois países discutiam a redução tarifária recíproca e outros pontos pendentes. A avaliação do acordo dependerá da divulgação das listas definitivas, das alíquotas, dos prazos de implementação e do cumprimento dos compromissos anunciados.



