São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Amazônia reúne mais de 2,7 mil espécies de peixes, diz relatório

Estudo liderado pela TNC aponta riscos à biodiversidade, à conectividade dos rios e à segurança alimentar na bacia.

Amazônia reúne mais de 2,7 mil espécies de peixes, diz relatório

A Bacia Amazônica concentra mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, o equivalente a cerca de 15% das espécies conhecidas no mundo. Aproximadamente dois terços são exclusivos da região. Os dados estão na quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, elaborado pela The Nature Conservancy (TNC) com informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

A publicação afirma que ainda há possibilidade de preservar a biodiversidade e a ligação entre os rios da bacia antes que sejam necessárias ações de restauração mais complexas e caras. Fernanda Silva, cientista da TNC e autora principal do relatório, defende a proteção do sistema enquanto ele permanece em funcionamento.

“Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram”, disse Fernanda.

Peixes e conexão dos rios

O estudo relaciona os peixes ao equilíbrio dos ecossistemas, à alimentação, às culturas, à renda e às economias das populações amazônicas. Tambaquis, pacus e matrinxãs entram em florestas alagadas para comer frutos e ajudam a espalhar sementes. Outras espécies levam nutrientes e energia entre áreas aquáticas e terrestres. A redução desses peixes pode afetar a vegetação e animais como botos, ariranhas e aves.

A dourada realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. Um indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros ao longo da vida, entre cabeceiras próximas aos Andes e o estuário do Amazonas. No rio Madeira, barragens interromperam rotas migratórias antigas e contribuíram para a redução dos estoques e para o fim, na prática, de uma atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) registra 144 espécies ameaçadas na região. Outras 334 aparecem como Dados Insuficientes. O relatório aponta que a ausência de monitoramento e de cooperação entre os países pode ocultar riscos adicionais.

Hidrelétricas, desmatamento, poluição e pesca excessiva podem fragmentar habitats, alterar a vazão dos rios, reduzir a conectividade e piorar a qualidade da água. Projeções reunidas no estudo indicam queda de mais de 40% na descarga anual dos rios em algumas áreas, como as cabeceiras do Madeira. Secas prolongadas podem prejudicar reprodução e migração, reduzir o oxigênio da água e concentrar contaminantes. Nos Andes, o aumento das temperaturas ameaça espécies endêmicas adaptadas ao frio.

A mineração não industrial de ouro responde por 83% das emissões de mercúrio geradas por atividades humanas na América do Sul. O contaminante se acumula na cadeia alimentar, e o pescado é apontado como principal via de exposição humana ao mercúrio na Amazônia.

Alimentação e manejo comunitário

Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado supera 600 gramas por pessoa por dia. O peixe é uma das fontes mais acessíveis de proteína animal para famílias de baixa renda e fornece nutrientes ligados ao desenvolvimento e à saúde.

Pelo menos 200 espécies são capturadas comercialmente. A pesca ornamental exporta dezenas de milhões de exemplares por ano e sustenta milhares de famílias. O relatório também registra a atuação das mulheres na cadeia produtiva e em associações comunitárias.

O levantamento identificou pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Elas cobrem quase 13 milhões de hectares e envolvem mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Segundo o estudo, essas experiências estão ligadas ao aumento da abundância de peixes, da diversidade de espécies e dos benefícios econômicos e sociais.

Fany Kuiru Castro, coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), afirmou que a conservação precisa incorporar os direitos territoriais indígenas e os conhecimentos tradicionais.

“Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos”, afirmou Fany.

Entre as medidas propostas estão proteger rios de fluxo livre, recuperar vazões naturais, restaurar habitats e espécies, melhorar a qualidade da água e evitar a expansão de espécies não nativas. Como rios, sedimentos e nutrientes atravessam fronteiras, os autores defendem coordenação em toda a bacia e participação formal de povos indígenas e comunidades locais na gestão.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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