São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Investigações conectam aliados de Flávio Bolsonaro a grupos criminosos no Rio

Casos envolvem milícias, contravenção, Comando Vermelho e suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de investigações.

Histórico de Flávio Bolsonaro é marcado por várias acusações de ligações com o crime organizado

Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal alcançaram pessoas próximas ao grupo político de Flávio Bolsonaro em casos relacionados a milícias, contravenção, Comando Vermelho e lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

A relação de Flávio com Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime, inclui homenagens concedidas quando o senador era deputado estadual e a contratação da mãe e da então esposa do ex-policial em seu gabinete. Adriano morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.

Planilhas e operações

Em 2022, a Polícia Federal apreendeu documentos atribuídos ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O material incluía planilhas com valores associados a políticos e partidos. Entre os nomes citados estavam Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes, Alexandre Ramagem e Gutemberg Fonseca. O inquérito tem mais de quatro mil páginas e registra referências a 61 pessoas.

Os documentos foram encontrados em novembro de 2022, durante uma fase da Operação Smoke Free, que investigava o comércio ilegal de cigarros no Rio de Janeiro. Em 2026, o material passou a ser analisado na Operação Unha e Carne, voltada à infiltração do crime organizado na política fluminense e a esquemas de lavagem de dinheiro. Em uma das fases, a PF apontou uma organização suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar recursos. O relatório do Coaf registra movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões e participação de agentes públicos.

A Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, investigou a presença de integrantes de uma organização ligada ao Comando Vermelho na administração pública fluminense. O caso também envolve suspeitas de tráfico internacional de armas e drogas, contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.

TH Joias, ex-deputado estadual, tornou-se réu na Justiça Federal em setembro deste ano, junto com outros acusados, por suspeitas relacionadas a corrupção, tráfico de drogas e contrabando. O MPF afirma que a organização tinha presença na Alerj e em órgãos do governo estadual.

Rodrigo Bacellar também é citado nas investigações. Em agosto, o STF recebeu denúncia da PGR contra Bacellar e TH Joias por suspeita de obstrução. A acusação afirma que informações sigilosas da Operação Zargun foram repassadas antes da deflagração, permitindo a ocultação de provas.

Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor indicado por Flávio Bolsonaro, aparece em mensagens obtidas pela PF. Nos registros, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão e apontado pelos investigadores como integrante do Comando Vermelho, fala sobre um encontro com Gutemberg para apresentar demandas e buscar “cobertura política”.

Segurança pública

Na campanha presidencial, Flávio Bolsonaro defende classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Especialistas citados no debate consideram a proposta uma “cortina de fumaça” e demonstram preocupação com a soberania nacional.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), o presidente Lula afirmou que propôs a Donald Trump uma atuação conjunta dos dois países contra o crime organizado, mas disse que não aceitará intervenção no Brasil.

Entre as medidas do governo Lula está a Lei Antifacção, sancionada em março deste ano. A norma criou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e ampliou mecanismos penais e patrimoniais contra organizações criminosas ultraviolentas, milícias e grupos paramilitares.

A PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara, está no Senado. A proposta prevê a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública na Constituição, maior cooperação entre os órgãos e regras para o financiamento do setor. A CCJ aprovou o relatório, mas ainda há emendas destacadas para votação.

O debate sobre resultados de políticas de segurança também é tratado por Alberto Kopittke, autor do Manual de Segurança Pública Baseada em Evidências, que defende a avaliação de programas com base em dados e pesquisas científicas.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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