São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil a ONG ligada a miliciano condenado

Ifop recebeu R$ 2 milhões em emendas; Polícia Federal apura possível desvio de recursos públicos ligado à família Brazão.

Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil em emendas a ONG ligada a miliciano condenado pelo assassinato de Marielle

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), ONG investigada por suspeita de ligação com Robson Calixto, conhecido como Peixe e condenado no caso Marielle Franco.

A entidade recebeu ainda R$ 300 mil da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão. Somadas, as emendas chegaram a R$ 2 milhões. Os recursos destinados ao Ifop em 2023 são os únicos repasses públicos recebidos pela organização até hoje, conforme as informações reunidas na investigação.

A Polícia Federal apura se os recursos fizeram parte de um esquema de desvio de dinheiro público ligado ao entorno da família Brazão. Para a corporação, Calixto teria intermediado a obtenção da verba junto ao gabinete de Flávio Bolsonaro. Na época, ele era assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e era apontado como homem de confiança do ex-conselheiro.

Mensagens retiradas do celular de Calixto registram conversas com Maria de Fátima Bezerra, assessora de Flávio conhecida como Fafá. Em outubro de 2023, ele pediu que a assessora verificasse com o senador a possibilidade de ajuda. Depois, a emenda de Flávio foi enviada em 29 de novembro de 2023.

Destino das emendas

As verbas de Flávio Bolsonaro e Chris Tonietto deveriam financiar a compra de chuteiras para projetos esportivos infantis. A execução foi alvo de uma operação da Polícia Federal em julho, com participação da Controladoria-Geral da União. O inquérito investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

No caso de Flávio, o dinheiro foi direcionado ao projeto Jogadores do Futuro. Pais de alunos disseram que seus filhos não receberam as chuteiras previstas no termo de fomento. No projeto Vencedores do Futuro, financiado pela emenda de Chris Tonietto, também não houve confirmação da entrega dos materiais.

A emenda de Chiquinho Brazão foi destinada a um projeto de capacitação de mulheres com aulas de informática na Baixada Fluminense. Os recursos foram liberados em 2025, depois da prisão do ex-deputado.

Relatório do Tribunal de Contas da União apontou suspeitas de irregularidades na compra de materiais pelo Ifop com a verba de Flávio. A auditoria afirmou que a entidade não demonstrou preocupação com economia ou eficiência na aplicação dos recursos.

A assessoria de Flávio disse que a emenda seguiu a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também afirmou que a execução cabe à entidade beneficiária e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

O Ifop declarou desconhecer a atuação de Calixto na destinação da emenda e negou relações com Peixe ou com a família Brazão. A ONG afirmou que contratou uma assessoria especializada em gestão de projetos e que não teve contato direto com Flávio.

Calixto foi preso em maio de 2024. Em delação premiada, Ronnie Lessa afirmou que ele adquiriu a submetralhadora HK MP5 usada no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Calixto a nove anos de prisão. Chiquinho e Domingos Brazão receberam penas de 76 anos e três meses de prisão.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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