São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Guimarães Rosa registrou ameaças ao Cerrado em viagem de 1952

Anotações do escritor sobre o bioma mineiro inspiraram obras como Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile.

Guimarães Rosa registrou ameaças ao Cerrado em viagem de 1952

João Guimarães Rosa registrou sinais de devastação no Cerrado mineiro durante uma viagem realizada em 1952, quando acompanhou uma comitiva de boiadeiros por 240 quilômetros, entre Três Marias e Araçaí. Nas cadernetas, anotou a paisagem e os impactos associados às siderúrgicas, além da presença do eucalipto.

Os registros contribuíram para obras como Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, publicadas em 1956. Os dois livros completam 70 anos este ano. A professora Mônica Meyer, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisa a relação entre a natureza e a produção literária de Rosa.

“Ele viu que o forno das siderúrgicas era alimentado com o carvão oriundo do Cerrado. Hoje a gente sabe que a devastação é feita pelo agronegócio”, afirma Meyer, autora da segunda edição de Ser-tão natureza, lançada no mês passado.

O bioma como personagem

Segundo a pesquisadora, o Cerrado não aparece apenas como cenário na obra de Guimarães Rosa. O bioma participa da narrativa como personagem, em uma visão na qual os seres humanos integram a natureza e não ocupam uma posição separada dela.

As anotações da viagem foram identificadas por Meyer em contos de Corpo de Baile e em Grande Sertão: Veredas. As obras descrevem o rio de Janeiro, afluente do Rio São Francisco localizado em Três Marias, além de animais, plantas e da circulação de pessoas.

A professora também destaca as descrições das raízes pivotantes do Cerrado, que precisam absorver muita água, e das mudanças provocadas pelos períodos de chuva e de seca. Riobaldo e Diadorim, protagonistas de Grande Sertão: Veredas, convivem com essas transformações ao longo do romance.

Fauna, flora e educação ambiental

Meyer cita a passagem em que Diadorim chama a atenção de Riobaldo para um passarinho conhecido como manuelzinho-da-crôa, nome popular da batuíra-de-coleira. O episódio representa uma mudança na forma como o personagem observa a paisagem e a fauna.

Para a pesquisadora, o romance reúne registros de pássaros, árvores, flores, insetos, rios, noites e amanheceres. A natureza é apresentada como espaço vivo, e não apenas como recurso natural ou mercadoria.

“É um material riquíssimo para trabalhar aspectos da educação ambiental. É, sem sombra de dúvida, uma grande enciclopédia do Cerrado”, diz Meyer.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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