São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Guayusa vira fonte de renda para 12 famílias indígenas no Equador

Agroindústria comunitária produz até 5 mil garrafas por mês e compra folhas de mulheres que mantêm sistemas agroflorestais.

Guayusa vira fonte de renda para 12 famílias indígenas no Equador

Uma agroindústria comunitária criada por uma família Kichwa transformou a guayusa em fonte de renda para 12 famílias no Equador. A produção, que começou com 150 garrafas, hoje varia de 3 a 5 mil garrafas por mês, segundo a administradora Esthela Noteno, apresentada durante o TEDxAmazônia.

A guayusa é uma planta nativa da Amazônia consumida como chá em diversas regiões equatorianas. As folhas usadas na produção são compradas de outras mulheres indígenas, que cultivam a espécie em sistemas agroflorestais com mais de 150 espécies nativas.

Produção comunitária

Esthela contou que cresceu em uma comunidade abundante no distrito de Sucumbíos, mas viu a riqueza local diminuir com a contaminação ambiental associada principalmente à atividade petroleira. Sem serviços básicos e em situação de pobreza, moradores arrendaram terras para empresas agrícolas produzirem taro, um tubérculo estrangeiro da família do inhame.

Durante a pandemia de covid-19, a família passou a valorizar a guayusa a partir dos ensinamentos do pai de Esthela. Os encontros para preparar e consumir o chá, chamados de guayusadas, reuniam idosos que compartilhavam conhecimentos, sonhos e sua conexão com a terra.

A iniciativa enfrentou dificuldades para obter apoio público, compreender normas sanitárias e registrar os produtos. A compra das folhas de outras produtoras criou uma alternativa de renda e um incentivo para a conservação da floresta. Esthela afirmou que a planta representa o espírito da mulher e que um mercado justo ajuda a mantê-la em pé.

Direitos e decisão

O TEDxAmazônia foi realizado pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades de Banos e Puyo, no Equador, em uma área de transição entre os Andes e a Amazônia. O encontro reuniu 30 palestrantes indígenas e não indígenas ligados à conservação ou à pesquisa sobre a região.

Treze mulheres indígenas de diferentes povos amazônicos encerraram o evento com um manifesto em defesa de seus corpos e territórios. A anciã Shuar Catalina Chumpi pediu às águas das cachoeiras força para suas descendentes defenderem suas terras. Na abertura, o líder Shuar Domingos Peas propôs um minuto de silêncio pelas defensoras e pelos defensores da natureza assassinados em represália por seu trabalho.

A líder Kichwa Patricia Gualinga defendeu que a natureza seja reconhecida legalmente como sujeito de direitos, e não apenas como fonte de recursos. Ela citou o Equador, que em 2008 incluiu essa previsão na Constituição, e a decisão de 2024 que proibiu a mineração na Floresta Los Cedros.

Gualinga também disse que garantias legais precisam ser acompanhadas por políticas públicas, mudanças na economia global e instituições firmes. Diana Chavez, diretora de Comunas, Povos e Nacionalidades do Fundo do Biocorredor Amazônico, pediu participação indígena na gestão dos recursos destinados à conservação. De acordo com ela, menos de 1% do financiamento global para ações de controle do clima chega diretamente aos povos indígenas.

A coorganizadora Verônica Reed afirmou que 40% do território amazônico está em oito países fora do Brasil. O organizador Rodrigo Cunha disse que há risco de um ponto de não retorno, enquanto os povos indígenas enfrentam violência.

O revezamento entre países deve continuar. Em junho do ano que vem, o evento será realizado em Belém (PA), e a expectativa é de retorno ao Equador em 2028.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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