SÃO PAULO — A matemática concentra o pior resultado do Brasil no Pisa 2025: 72% dos estudantes de 15 anos ficaram abaixo do nível esperado, ante 35% na média da OCDE. O país obteve 377 pontos, exatamente o mesmo resultado de dez anos atrás, e ficou na 71ª colocação entre as nações e economias analisadas.
Em ciências, a média brasileira foi de 409 pontos, contra 401 em 2015. Em leitura, alcançou 408 pontos, um ponto acima do resultado registrado em 2015. O relatório classifica a trajetória do país como estável há mais de uma década, mas ressalta que essa estabilidade ocorre em um patamar baixo.
Distância em relação à OCDE
A proporção de brasileiros abaixo do desempenho esperado nas três áreas foi de 43,8%. Nos países da OCDE, a taxa ficou em 29%. Em ciências, 52% dos estudantes brasileiros não atingiram o nível esperado, contra 26% na organização. Em leitura, foram 51%, ante 31% na OCDE.
O Brasil não integra o grupo de 23 países usado para calcular a média histórica da OCDE. Em 2025, essa média foi de 486 pontos em ciências, 466 em leitura e 469 em matemática. Na comparação com 2006, as perdas foram de 17 pontos em ciências e 29 em leitura. Em matemática, a queda chegou a 32 pontos em relação a 20 anos atrás.
Considerando os 38 países que hoje compõem a organização, as médias foram de 482 pontos em ciências, 461 em leitura e 463 em matemática. Uma diferença de 20 pontos no Pisa equivale à progressão de um ano de aprendizagem.
Resultado global
O desempenho médio dos países da OCDE foi o menor já registrado nas três áreas avaliadas. Em 2022, após uma queda sem precedentes, os resultados já haviam recuado; em 2025, o desempenho continuou caindo em muitos países. A taxa de estudantes abaixo do esperado subiu de 25% para 29% entre 2022 e 2025.
A edição reuniu mais de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e regiões. No Brasil, participaram mais de 30 mil jovens. Além de ciências, leitura e matemática, a prova avaliou a capacidade de resolver problemas com ferramentas computacionais.
O país ficou em 67º lugar em ciências, seis posições abaixo de 2022. Mesmo com uma pequena melhora na média nessa área, não avançou no ranking e ficou atrás de Arábia Saudita, Grécia, Costa Rica e Colômbia.
As províncias chinesas Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang lideraram ciências, com 597 pontos, e matemática, com 612. Singapura ficou em primeiro lugar em leitura, com 535 pontos.




