BUENOS AIRES — O Brasil cobrou respeito na relação com a Argentina durante a cerimônia do Dia da Independência em Buenos Aires. O encarregado de negócios da Embaixada do Brasil, Eduardo Uziel, defendeu que os vínculos entre os dois países sejam mantidos acima de divergências políticas e circunstanciais.
O discurso de três minutos ocorreu na noite de segunda-feira (07/09), no Teatro Colón, durante um evento que teve apresentação de Paulinho da Viola. A fala foi coordenada com o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, chamado a consultas em Brasília, e com o chanceler Mauro Vieira.
Uziel classificou o momento diplomático como “uma época estranha” e afirmou que a relação bilateral deve ser cultivada independentemente dos governos. “Uma amizade que independe dos governos e que é maior do que qualquer fantasia ou mapa bicolor”, disse o diplomata.
Relação diplomática
Bitelli foi chamado a Brasília em 26 de julho, depois de Javier Milei insultar Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, em São Paulo. O presidente argentino chamou Lula de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”.
Milei também atacou Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. O argentino o chamou de “lixo calvo” após não ter autorização para visitar Jair Bolsonaro, que cumpre sentença de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.
Em 4 de agosto, depois de novos ataques de Milei a Lula, Mauro Vieira reduziu o nível da relação diplomática. Bitelli permaneceu em Brasília, enquanto a representação brasileira em Buenos Aires passou a ser comandada por um encarregado de negócios. A Argentina adotou medida equivalente em Brasília.
Política de Estado
No discurso, Uziel citou o apoio brasileiro à soberania argentina sobre as ilhas Malvinas desde 1833 como exemplo da continuidade da política externa do Brasil. “Política de Estado sempre por convicção”, afirmou ao concluir a fala.
A cerimônia em Buenos Aires não teve representantes do governo argentino, apesar dos convites. A participação de autoridades argentinas poderia, conforme a avaliação apresentada no evento, sinalizar uma retomada da relação. Essa possibilidade foi adiada para depois das eleições, dependendo do resultado.




