O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu que o BRICS atue de forma coesa na defesa dos interesses do Sul Global. A declaração foi feita no encerramento da cúpula do grupo, neste sábado (12/09), na Índia, durante a qual Vieira liderou a delegação brasileira em representação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Vieira afirmou que o bloco deve defender o multilateralismo e promover os interesses dos países do Sul Global diante de um realinhamento da ordem mundial. Segundo o chanceler, a mudança será decisiva para enfrentar a crise climática e os conflitos armados em curso.
“Em meio ao colapso da velha ordem, a voz do BRICS deve se elevar em defesa de um multilateralismo renovado e legítimo”, disse Vieira.
O ministro também criticou a paralisia do Conselho de Segurança e relacionou o cenário à erosão da estrutura internacional de paz e segurança. Para ele, a governança global precisa ser reformada, com o Sul Global como principal impulsionador do processo. Vieira afirmou ainda que o grupo ampliado deve assumir maior responsabilidade e manter o compromisso com 20 anos de conquistas políticas e institucionais.
Declaração final
Durante a cúpula, o presidente russo Vladimir Putin disse que o sistema unipolar de relações internacionais está perdendo espaço, enquanto o equilíbrio de poder se desloca para novos centros de crescimento no Sul Global e no Leste. Ele defendeu a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para aumentar a representação da Ásia, da África e da América Latina.
A declaração final do encontro registrou preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e pediu máxima contenção aos países do Ocidente. O documento também alertou para ataques deliberados contra infraestrutura civil e instalações nucleares entre países da região asiática.
O texto reafirmou a oposição do BRICS ao deslocamento forçado da população palestina e à alteração da geografia. Os países do grupo pediram o fim das ações militares de Israel na Faixa de Gaza e dos ataques de colonos na Cisjordânia. Também apoiaram a presença da UNRWA nos territórios palestinos e a adesão plena da Palestina à ONU.




