O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) acusou a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) de manter relações com a Rockbridge Network, grupo norte-americano que, segundo ele, financia campanhas e tem interesses empresariais no Brasil. As declarações foram feitas na 6ª feira (11.set.2026), durante sabatina.
Renan chamou Flávio de “bandido” e “vassalo do governo Trump”. Também afirmou que a eventual entrada de recursos estrangeiros na campanha poderia ocorrer de forma indireta. “Eu duvido que haja dinheiro estrangeiro diretamente na campanha do Flávio. Diretamente, ninguém vai fazer isso. Agora, indiretamente, é a coisa mais fácil do mundo”, disse.
Relações citadas
O candidato mencionou Tallis Gomes, cofundador da G4 Educação, Pedro Sangue e Ryan, apontado por ele como operador político da Rockbridge. Renan afirmou ter informações sobre contatos entre essas pessoas e integrantes do grupo nos Estados Unidos.
Segundo Renan, a Rockbridge teria procurado candidatos brasileiros no fim de 2025 e início de 2026. Ele também citou a empresa Vulcan, que teria relação com integrantes do grupo e interesse em negócios envolvendo terras raras no Brasil.
Renan disse que um dos envolvidos com a Rockbridge teria passado a trabalhar na campanha de Flávio e aberto recentemente uma empresa. Para ele, empresários ligados ao grupo tratariam de setores estratégicos do país no entorno da candidatura.
O candidato afirmou que pretende apresentar as informações primeiro à imprensa, e não à Justiça Eleitoral, porque sua campanha não teria equipe suficiente para transformar o material em uma denúncia formal. Ele defendeu uma investigação por jornalistas brasileiros e estrangeiros.
Questionado sobre a ausência de provas públicas de repasses estrangeiros à campanha, Renan disse que a apuração deveria verificar possíveis transferências ao senador, a aliados ou a estruturas relacionadas à candidatura. Também rejeitou a avaliação de que suas declarações poderiam ser fake news.
Flávio e Banco Master
Renan associou a candidatura de Flávio a uma aproximação com o governo de Donald Trump (Partido Republicano) e a articulações nos Estados Unidos. Ele afirmou existir um “interesse de lobby gigantesco” de grupos empresariais próximos ao governo norte-americano.
O candidato também comentou suspeitas envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Disse que o senador poderia enfrentar consequências jurídicas caso as investigações comprovassem uma troca de favores e afirmou que seria necessário esclarecer eventual contrapartida.
Renan citou possíveis conversas de Vorcaro e levantou suspeitas sobre medidas do governo Jair Bolsonaro (PL) relacionadas a crédito consignado e benefícios sociais que, segundo ele, teriam beneficiado o Banco Master. Ressaltou, porém, que as investigações precisam avançar para definir responsabilidades.
Efeito eleitoral
Na avaliação de Renan, eventuais denúncias contra Flávio poderiam afetar principalmente eleitores antipetistas que não se identificam com o bolsonarismo. Ele citou o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas e disse que parte do eleitorado estaria cansada da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio.
Renan afirmou que o efeito eleitoral dependerá de esse grupo considerar as denúncias e suspeitas envolvendo os candidatos. Flávio não havia respondido ao pedido de manifestação até a publicação.



