São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Religião pesa no voto feminino e aproxima evangélicas de Flávio Bolsonaro

Entre evangélicas, Flávio Bolsonaro tem 46% das intenções de voto, contra 26% de Lula, segundo o Datafolha.

Religião pesa no voto feminino e aproxima evangélicas de Flávio Bolsonaro

A religião aparece como um dos fatores que orientam as escolhas políticas das mulheres, especialmente entre as evangélicas. Nesse grupo, Flávio Bolsonaro (PL) registra 46% das intenções de voto, enquanto Lula (PT) tem 26%, segundo o Datafolha.

As mulheres representam 55% dos evangélicos e são maioria em todas as vertentes religiosas, exceto entre as pessoas que dizem não ter religião. Pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser), realizada anualmente desde 2021, mostra que valores associados ao cristianismo estão entre os principais elementos considerados por eleitoras evangélicas.

A mineira Carliane Avellar Gandra, 42, afirma que votará em Romeu Zema (Novo) por defender a liberdade econômica e o conservadorismo. Em um eventual segundo turno sem o ex-governador de Minas, ela diz que escolherá Flávio Bolsonaro contra qualquer candidato que não seja Lula.

Carliane foi criada em uma família cristã e conservadora, frequenta a Igreja Evangélica da Lagoinha e administra uma empresa de temperos fundada por seu pai há 40 anos. Para ela, o voto é guiado por valores e princípios. A pauta que mais a mobiliza é a oposição ao aborto: “Sou uma pessoa 100% contra o aborto, isso é o mais importante para mim”, afirma.

Religião e posições políticas

A coordenadora do Iser, Lívia Reis, afirma que a religião é um marcador social relevante, mas precisa ser analisada junto de renda, raça e escolaridade. Segundo ela, há um alinhamento moral entre mulheres evangélicas e o discurso de direita associado ao bolsonarismo.

Reis também identifica uma aproximação recente de parte desse eleitorado com posições de direita. “Tem essa ideia de proteção da família, da infância, que privatiza de volta para a família o cuidado”, diz.

Até 2024, a maioria das evangélicas se declarava contrária ao feminismo. Em 2025, 63% passaram a afirmar que é possível ser cristã e feminista. As mulheres, segundo pesquisa Datafolha de julho, são menos influenciadas que os homens por amigos, filhos, cônjuges e lideranças religiosas.

A historiadora Heloisa Starling aponta três ciclos de mobilização de mulheres conservadoras: o integralismo dos anos 1930, a articulação civil e religiosa em torno do golpe de 1964 e a atuação atual de grupos de oração ligados ao projeto Alicerça Brasil, liderado por Michelle Bolsonaro.

Diferentes trajetórias

A pernambucana Rayane Barros, 23, identifica-se com a esquerda e afirma que votará em Lula. Criada por uma mãe solo, trabalha em uma organização social e relaciona sua escolha política à defesa de sua existência como mulher negra, de religião de matriz africana e LGBTQIA+.

Rayane diz que o candomblé transformou sua trajetória. Ela cursava Direito quando passou a seguir a religião e afirma ter recebido do orixá uma orientação para atuar pela justiça social. Hoje, estuda Ciências Sociais e Serviço Social.

Em Itumbiara (GO), Kawanny Almeida do Nascimento, 17, decidiu tirar o título de eleitor após conversar na escola pública e com a família. Ela ainda não definiu seu primeiro voto, mas afirma que pretende escolher alguém de acordo com seus princípios. Kawanny cresceu em uma família evangélica.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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