Um relatório de inteligência da Polícia Federal aponta divergências internas na investigação que envolveu Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento critica a produção de análises sobre Lulinha, classifica como frágeis os elementos que o relacionaram a desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e recomenda levar à Corregedoria a escolha do nome Operação Elli.
O relatório foi produzido por uma unidade ligada à Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq) e enviado inicialmente ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O documento se define como sem valor probatório e afirma que não pode ser usado para atribuir acusações de infrações. Também informa que parte dos dados tem confiabilidade baixa ou moderada por depender de relatos verbais.
A análise questiona um relatório sobre as menções a Lulinha e as viagens dele com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo o documento, Lulinha ainda não era formalmente investigado, e a inclusão da análise nos autos criou risco reputacional.
A fase da Operação Sem Desconto que levou à busca e apreensão contra Roberta Luchsinger foi chamada internamente de Operação Elli, pronunciada como a letra L. Para o relatório, o nome poderia indicar referência indevida a Lulinha. A conclusão recomenda identificar quem escolheu a denominação, verificar a existência de norma interna e, se confirmada a codificação de uma pessoa não investigada, encaminhar o caso à Corregedoria da PF.
Mudança na coordenação
O relatório também registra tensões após a troca, em maio, da coordenação da Operação Sem Desconto. O caso saiu da Coordenadoria de Repressão a Crimes Fazendários (Cgfaz) e foi transferido para a Coordenadoria de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (Cgrc), com mudança no delegado responsável.
Os novos coordenadores passaram a questionar medidas adotadas pelos delegados dos inquéritos. O documento afirma que a autonomia dos investigadores foi reduzida por um crivo jurídico e investigativo. Também registra insinuações de que a mudança teria como objetivo matar a Operação Sem Desconto.
Apesar da classificação inicial como frágil, informações obtidas no celular de Roberta Luchsinger levaram a PF a apontar indícios de que ela intermediava negócios de empresários com o governo federal e mantinha uma sociedade oculta com Lulinha. A PF pediu a abertura de três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência e indicou que Roberta poderia bancar despesas do filho do presidente com recursos de contratos firmados por empresários interessados em negócios com o governo federal.
A defesa de Lulinha divulgou nota afirmando que o relatório reforçava suspeitas de direcionamento da investigação e defendeu o arquivamento das suspeitas contra ele.




