SÃO PAULO — A rede estadual de São Paulo perdeu 17% das matrículas no Ensino Médio entre 2024 e 2025 e recuou da 8ª para a 10ª colocação nacional no Ideb da etapa regular. Os dados estão entre os pontos de divergência entre professores e entidades sindicais e a avaliação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) sobre a política educacional do governo Tarcísio de Freitas.
No Ideb 2025, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), o Ensino Médio regular paulista obteve média 4,3. Quando integrado à educação profissional, o índice chegou a 4,5, na 8ª posição entre as unidades da Federação. Os resultados permaneceram abaixo dos patamares de 2019.
A Seduc-SP classificou o desempenho como avanço consistente e destacou que São Paulo ficou em quinto lugar nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A pasta também informou frequência escolar de 91,1% em 2025 e atribuiu parte das dificuldades à complexidade operacional da maior rede de ensino do Brasil.
Matrículas, evasão e ensino integral
Entre 2024 e 2025, a rede estadual deixou de registrar 256,9 mil estudantes no Ensino Médio. A queda foi de 17%, acima da retração média de 6,6% nas redes estaduais do país. Por série, o recuo foi de 8,3% no 1º ano, 18,5% no 2º ano e 25% no 3º ano.
Professora Bebel, deputada estadual e presidenta licenciada do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), relacionou a redução à expansão do Programa Ensino Integral (PEI) sem bolsas de permanência para estudantes que precisam trabalhar. Ela também citou a diminuição de turmas no período noturno e na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Pesquisas da Rede Escola Pública e Universidade (Repu) associaram a retração às mudanças estruturais na rede. Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Repu, afirmou que a expansão do PEI reduziu o ensino noturno e a EJA. Ele também apontou a transferência de estudantes com 18 anos ou mais para a EJA, inclusive em modalidades a distância, como mecanismo que altera o público das avaliações oficiais.
A Seduc-SP informou que a taxa de abandono caiu para 3,5% e que ações de busca ativa levaram cerca de 300 mil alunos a mais às salas de aula diariamente.
Modelo cívico-militar e plataformas
O Programa de Escolas Cívico-Militares alcança 100 unidades em 88 municípios paulistas. Levantamento baseado em dados oficiais indicou que 74 dessas escolas já tinham desempenho acima da média da rede estadual no Ideb antes da adesão.
Em fevereiro, a 13ª Vara de Fazenda Pública da Capital suspendeu trechos do regimento do programa, em ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Defensoria Pública. A decisão proibiu policiais militares de ministrar aulas ou exercer funções disciplinares em substituição aos professores.
A rede também utiliza aplicativos como Leia, Matific e Elefante Letrado. A Seduc-SP informou que 100% das escolas têm conexão mínima de 100 Mbps e que 13,9 mil profissionais participaram de formações tecnológicas em 2026. Pesquisa da Fundacentro com entidades de saúde e educação apontou que 97,6% dos entrevistados associam o adoecimento mental e físico às exigências do trabalho digitalizado.
Na infraestrutura, a Seduc-SP e a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) avançaram em uma Parceria Público-Privada (PPP) para construir e administrar 33 novas escolas em 29 municípios. A secretaria afirma que a concessionária ficará restrita à administração predial e à manutenção física.
Professores e inclusão
A política salarial inclui o pagamento do piso nacional do magistério por meio de abono complementar. A Seduc-SP informou que 70,6% das horas/aula são ministradas por professores efetivos e que 17,1 mil aprovados no concurso de 2023 foram nomeados. Também há autorização para outro concurso, com 5 mil vagas e ingresso em 2028.
Bebel citou 146 mil cargos vagos e 140 mil aprovados aguardando convocação e criticou a permanência de professores temporários na Categoria O. A Seduc-SP afirmou que a avaliação de desempenho tem caráter diagnóstico e formativo.
Na educação inclusiva, professores e entidades relataram dificuldades para atender estudantes neurodivergentes e com deficiência, associadas à superlotação e à perda de espaço das salas de recursos. A Seduc-SP informou que a rede tem 24.231 professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e 25.648 profissionais de apoio escolar, além da previsão de ingresso de mais 21 mil profissionais no segundo semestre de 2026.




