São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Política

Tecnologia e produção local aproximam propostas para a Saúde de Lula e Flávio

Alexandre Padilha e Cláudio Lottenberg defenderam integração de dados, uso de tecnologia e mudança no pagamento do SUS.

Tecnologia e produção local aproximam propostas para a Saúde de Lula e Flávio

A disputa sobre a condução do Sistema Único de Saúde (SUS) teve propostas convergentes entre os representantes de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em evento realizado nesta terça-feira (8). Alexandre Padilha, ministro da Saúde, e o médico Cláudio Lottenberg defenderam o fortalecimento da produção brasileira de medicamentos e insumos, além de maior integração das informações da rede pública.

Os dois também apoiaram a remuneração dos serviços conforme o resultado clínico obtido pelo paciente, e não apenas pelo número de procedimentos. O encontro reuniu representantes de campanhas à Presidência para discutir planos para o setor até 2030. Cada assessor teve 20 minutos para expor suas propostas, sem debate entre os participantes ou perguntas da plateia.

Dados, medicamentos e atendimento

Lottenberg afirmou que a integração de dados representa a continuidade de medidas já adotadas pelo Ministério da Saúde. Entre suas propostas estão o uso de inteligência artificial para organizar filas do SUS, incluindo a de transplantes, e o cruzamento de bases para localizar pacientes com vacinas ou exames atrasados.

O médico também defendeu o uso de informações de mapeamento genético da população brasileira para reduzir o desperdício de recursos com medicamentos desenvolvidos a partir de dados estrangeiros. Para ele, ampliar a produção local de remédios e insumos ajudaria a garantir a “segurança nacional” em períodos de crise. Como exemplo, citou a falta de respiradores em Manaus (AM) durante a pandemia da Covid-19.

O indicado por Flávio Bolsonaro disse que o SUS é uma “estrutura vitoriosa” e que deve ser aperfeiçoado, sem passar por uma reforma. Ele não criticou a gestão petista e reconheceu que algumas de suas ideias já fazem parte de políticas do ministério.

Padilha afirmou que, em um eventual novo mandato de Lula, a prioridade seria consolidar iniciativas em andamento, como o Agora Tem Especialistas. Segundo ele, o programa substitui o pagamento isolado por procedimento por um valor referente a um conjunto de serviços, do diagnóstico e da consulta a outras etapas do atendimento.

O ministro também citou a expansão de carretas para atendimento em áreas remotas, o reforço da rede nacional de cuidado do câncer e novos protocolos para mulheres na menopausa e idosos em cuidado domiciliar. Ele mencionou ainda a incorporação definitiva das canetas emagrecedoras ao SUS.

Críticas e outras propostas

A diferença entre os discursos apareceu principalmente nas referências aos grupos adversários. Padilha criticou a postura antivacina e os cortes promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro em programas como o Farmácia Popular. Não mencionou Lottenberg, com quem, segundo interlocutores do ministro, mantém relação amistosa. O médico chegou a ser especulado como vice de Padilha na campanha à Prefeitura de São Paulo em 2014.

Luiz Henrique Mandetta, representante de Ronaldo Caiado, propôs dividir o SUS em regiões de saúde, com planejamento e distribuição de recursos para áreas de 1 milhão a 1,5 milhão de habitantes. Também defendeu discutir o vício em apostas e criticou a destinação de emendas parlamentares a municípios.

Felipe Roth, da candidatura de Renan Santos, apresentou o projeto “SUS fila zero”, com organização da espera conforme a gravidade da doença e o impacto funcional. O plano prevê corrigir o piso da saúde pela inflação, em vez do mínimo de 15% da Receita Corrente Líquida, e manter a vacinação acima das metas.

Adriana Ventura, responsável pelas políticas de saúde de Romeu Zema, defendeu contratar espaços ociosos de hospitais privados, melhorar a gestão dos recursos federais e pagar os serviços pelo desfecho clínico. A candidatura de Augusto Cury não enviou representante.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.