A campanha de Renan Santos (Missão) à Presidência da República apresentou um plano para a saúde com três frentes: regionalizar o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar a transparência regulatória e estimular a indústria nacional. As propostas foram detalhadas por Felipe Roth, coordenador da área de saúde da campanha, a representantes da indústria farmacêutica na 5ª feira (24.set.2026).
O primeiro eixo prevê ativar 172 regiões de saúde e reunir mais de 5.000 municípios em áreas com características culturais e geográficas semelhantes. A campanha defende a presença do Ministério da Saúde em cada região para identificar lacunas e planejar a distribuição de recursos. Roth disse que o mapa regional existe desde 2011, mas ainda não foi colocado em operação.
“É impossível você fazer a gestão de 5.000 municípios do Ministério da Saúde”, afirmou Roth. A proposta também relaciona o planejamento regional ao uso de emendas parlamentares. Deputados poderiam direcionar os recursos para necessidades identificadas em cada área, com a destinação vinculada aos resultados entregues à população.
Piso da saúde e Anvisa
Roth afirmou que o orçamento da saúde para 2027 deverá ficar no limite mínimo previsto na Constituição, sem margem acima do piso. Segundo ele, a retirada dos royalties do petróleo da base de cálculo da receita corrente líquida reduziu em R$ 3 bilhões a base considerada para a saúde, sem descumprimento formal da regra fiscal.
A campanha apoia a vinculação dos reajustes do piso às metas de inflação por meio de uma PEC de autoria do deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP), que está em tramitação. “O piso não vai ser extinto”, disse Roth.
O segundo eixo propõe “transparência total” nas filas regulatórias da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O prazo médio para a liberação de produtos é de 257 dias, acima dos 180 dias previstos na legislação. A campanha quer ampliar a estrutura técnica da agência com parcerias com institutos federais e universidades, além de melhorar remuneração e planos de carreira.
Segundo Roth, a Anvisa tem cerca de 1.600 técnicos, enquanto a Coreia do Sul emprega cerca de 3.000 agentes na área de regulação. Ele também afirmou que a autorização legal para forças-tarefas destinadas a reduzir a fila vence em outubro.
Indústria da saúde
O terceiro eixo prevê zonas econômicas especiais voltadas ao setor, com condições tributárias para incentivar produção e inovação. A campanha também defende ampliar as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), com transferência de tecnologia para a fabricação nacional.
Segundo Roth, a estratégia pode aumentar o portfólio produzido no país, reduzir custos e ampliar a escala da indústria. O encontro reuniu Abiis, Abimed, Acessa, Grupo FarmaBrasil, Interfarma, PróGenéricos e Sindusfarma.



