São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Autoridades divergem sobre pressão dos EUA contra facções brasileiras

Relatório enviado ao Congresso americano critica o Brasil, mas não o inclui entre grandes produtores ou rotas de narcotráfico.

Autoridades divergem sobre pressão dos EUA contra facções brasileiras

O diretor de operações e inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Anchieta Nery, afirmou que a pressão para classificar facções brasileiras como terroristas busca alinhar países do continente às posições do governo dos Estados Unidos. Para ele, a declaração da Casa Branca é um assunto diplomático, cuja resposta deve ser conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores.

Nery também citou o risco de os Estados Unidos aplicarem sanções contra instituições financeiras brasileiras, com base em medidas adotadas em outros países latino-americanos, especialmente o México. Durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo, ele disse que o Brasil não é produtor de cocaína, como países andinos.

“É de conhecimento público que nós não somos um país produtor de cocaína, como é o caso de países andinos”, afirmou. O diretor questionou ainda a efetividade do apoio americano à Colômbia ao longo de décadas, já que o país continuou produzindo cocaína.

Divergências sobre o relatório

O documento do governo de Donald Trump foi encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos. O relatório relaciona países considerados grandes produtores de entorpecentes ou importantes rotas de narcotráfico e avalia os esforços adotados por essas nações.

O Brasil não aparece formalmente nessas listas, mas recebe uma menção específica. O texto afirma que o governo brasileiro falhou em confrontar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Também diz que o país se tornou um hub logístico para o transporte de cocaína.

Ex-integrante do Gaeco, o procurador Márcio Christino classificou a manifestação como política e disse que o governo americano busca ampliar sua influência sobre países como o Brasil. Ele rejeitou a avaliação de que o país não combate o narcotráfico e contestou a descrição do Brasil como rota para vários mercados.

“Não é verdade que o Brasil falha. O combate ao narcotráfico acontece todos os dias”, disse Christino. Segundo ele, há uma rota pelo oceano Atlântico, com destino final na Europa.

O juiz Carlos Eduardo Lemos, titular de uma vara criminal no Espírito Santo, apresentou avaliação diferente. Para ele, PCC e Comando Vermelho deixaram de ser um problema local e passaram a atuar como organizações transnacionais, com capacidade financeira, logística e territorial nas grandes rotas internacionais do tráfico.

Lemos afirmou que o Brasil precisa avaliar se os instrumentos jurídicos tradicionais são suficientes para enfrentar grupos com esse nível de poder. Também defendeu o debate sobre a classificação de facções como organizações terroristas, sem reduzir a dimensão do fenômeno.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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