Pesquisas internas do Planalto indicam que a proximidade entre Luiz Inácio Lula da Silva e Alexandre de Moraes pode levar à perda de votos para o presidente. A associação ganhou força após o quebra-quebra de 8 de janeiro de 2023 e passou a preocupar Lula diante das eleições de outubro.
Na única manifestação pública sobre o caso até agora, publicada em vídeo nas redes sociais na quinta-feira, 3, o presidente evitou citar Moraes. Lula afirmou ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém. Doa a quem doer”.
O presidente também teme que o conflito entre Moraes e André Mendonça avance sobre a Polícia Federal. Lula relatou a interlocutores preocupação com uma suposta tentativa de Mendonça de desqualificar Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação, e pressionar por seu afastamento. O assunto foi discutido em reuniões com Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, e Gilmar Mendes, decano da Corte.
Um relatório de inteligência da Polícia Federal tornado público na quinta-feira, 3, registra que Mendonça teria questionado a proximidade de Rodrigues com Lula. O documento afirma que o ministro teria dito que essa relação tornaria impossível confiar no diretor-geral e que havia procedimento para avaliar seu eventual afastamento.
Disputa no Supremo
Após André Mendonça tornar públicos pedidos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, ministros do STF reclamaram da atuação do ministro da Justiça Wellington Lima e Silva e da falta de uma defesa mais firme da Polícia Federal pelo Executivo.
Mendonça, relator dos casos do INSS e do Banco Master, acredita que Rodrigues poderia vazar ao presidente informações confidenciais, inclusive sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ele é investigado em três inquéritos no STF por suspeitas de tráfico de influência.
Parte dos ministros também questiona o acesso direto de Rodrigues ao presidente. Segundo a avaliação registrada no relatório, essa proximidade poderia enfraquecer canais institucionais e ampliar suspeitas de uso político da corporação em investigações contra adversários do governo.



