O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu manter Paulo Gonet à frente do caso do Banco Master. Nesta sexta-feira (25), todos os conselheiros votaram contra o afastamento, em placar de 9 a 0.
Em outra deliberação, o conselho decidiu por 5 a 4 arquivar o aprofundamento das investigações sobre a relação entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro. O relator da representação, Francisco Sanseverino, votou pelo arquivamento, acompanhado por Celso de Albuquerque, Alexandre Camanho, Hindemburgo Chateaubriand e Nicolao Dino.
Divergência sobre novas apurações
Janice Ascari, Samantha Chantal, José Adônis e Ana Borges Santos defenderam a designação de um subprocurador-geral da República para aprofundar a análise da conduta de Gonet. Janice afirmou que os elementos disponíveis não justificam, neste momento, a abertura imediata de um procedimento de investigação criminal, mas disse que os fatos devem ser esclarecidos antes de uma decisão definitiva.
Entre os pontos citados por ela estão as tratativas para uma possível participação de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em um evento em Londres patrocinado pelo Master. A conselheira também mencionou o conteúdo de uma ligação que teria ocorrido entre Gonet e Vorcaro.
A análise do CSMPF ocorreu depois da divulgação de relatórios da Polícia Federal elaborados com dados extraídos do celular de Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As mensagens indicariam interlocução entre o banqueiro e o procurador-geral, principalmente por meio do advogado Ciro Soares.
Os relatórios registraram autorização de Vorcaro para o custeio de despesas de viagem de Pedro Gonet a Londres, em abril de 2025. Também apontaram uma fotografia feita em 2024, na cidade, com Vorcaro sentado perto de Paulo Gonet. Em mensagens de outubro de 2025, Vorcaro teria citado o procurador-geral ao pedir que conversas com autoridades fossem reforçadas para evitar medidas do Banco Central contra o banco.
Paulo Gonet declarou, em manifestações anteriores, que não mantinha relação de proximidade com Vorcaro e classificou o contato entre os dois como “brevíssima e banal”.



