O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 16, que o Brasil não pode abrir mão dos Estados Unidos como parceiro comercial, embora o país não tenha se mostrado um grande aliado. A declaração ocorreu durante a assinatura do Acordo de Cooperação técnica MDIC-Sistema Indústria na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o ministro, a relação entre os países ficou mais difícil desde maio do ano passado. Ele também classificou a China como uma ameaça ao comércio brasileiro. Na avaliação de Márcio Elias Rosa, o Brasil está entre um parceiro que quer tomar seus mercados e outro que adota uma postura hostil, com barreiras tarifárias aos produtos brasileiros. Estados Unidos e China são os dois maiores parceiros comerciais do Brasil.
“De um lado nós temos um parceiro comercial que quer tomar o nosso mercado, e de outro um parceiro comercial que se mostra hostil, com barreira tarifária aos nossos produtos”, afirmou.
O ministro disse que o governo deve finalizar o acordo com o Canadá. Também afirmou que o Japão passou a declarar publicamente interesse em um acordo de livre comércio com o Brasil.
Márcio Elias Rosa defendeu uma política industrial com mecanismos de defesa comercial. Para ele, as mudanças no comércio internacional fizeram com que medidas simples, como as antidumping, deixassem de ser suficientes para proteger a indústria nacional.
Ele afirmou ainda que há motivos para esperança no crescimento e no desenvolvimento do país. O Brasil acumulava cerca de US$ 55 bilhões de saldo comercial até o fim de agosto e, segundo o ministro, deve encerrar o ano com mais de US$ 90 bilhões.
Crise no STF
No discurso na CNI, Márcio Elias Rosa disse estar triste com o dia anterior e afirmou que o que havia ocorrido não era bom para o Brasil. Sem citar diretamente o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes, declarou que o episódio teria implicações para o país.
O ministro classificou a situação envolvendo o STF como “muito estranho e desconfortável”. Questionado se considerava protelatório o pedido de vista de Flávio Dino, disse que não comentaria o caso em nome do governo.




