SÃO PAULO — Ex-vereador de São Paulo, Milton Leite (União) é alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga uma suposta infiltração do PCC no transporte paulistano. A decisão judicial que autorizou a ação afirma que ele seria “o dono de fato” da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para a facção. A empresa nega a acusação.
Leite foi vereador por sete mandatos, entre 1997 e 2024, e presidiu a Câmara Municipal em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024. Ele deixou o Legislativo ao decidir não disputar novo mandato. Foi o presidente mais longevo da Casa desde a redemocratização, com seis anos no comando.
Atuação política
Embora não esteja mais no dia a dia da Câmara, Leite continua atuando politicamente. Em novembro de 2025, convocou parlamentares de sua bancada para defender que o afilhado, Silvão Leite (União), assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, Ricardo Teixeira (União), alinhado ao prefeito, foi reeleito para o posto.
A atuação de Milton Leite tem como principal eixo a zona sul da capital. Em junho de 2025, a Assembleia Legislativa de São Paulo concedeu a ele o Colar de Honra ao Mérito Legislativo. A homenagem reconheceu contribuições em preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões periféricas, sobretudo na zona sul.
Na cerimônia, Leite mencionou sua origem como vendedor de pão no M’Boi Mirim e defendeu a importância da palavra na vida pública: “A carreira política deve ser pavimentada por uma coisa muito importante: a palavra.”
Investigação e defesa
O nome do ex-vereador também aparece em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar sobre supostas conexões com policiais presos por atuar na escolta particular de dirigentes da Transwolff. Em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da empresa, o sargento Nereu Aparecido Alves chamou Leite de “chefe”. Em fevereiro, o ex-vereador afirmou que não conhecia o policial e que ele nunca trabalhou em sua escolta.
Depoimentos apontam que a segurança dos dirigentes da empresa era coordenada pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, que trabalhava na Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014. Em interrogatório realizado no dia 4 de fevereiro, o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario disse acreditar que o capitão havia sido indicado para a função por Milton Leite.
A Corregedoria também registrou “estreitas ligações” entre Leite e o capitão, relacionadas ao período em que ele atuou no Legislativo municipal. O ex-vereador negou ter indicado policiais para trabalhar na empresa e afirmou que manteve o capitão no cargo após ele ter permanecido na Câmara durante outras duas gestões.
Leite disse estar fora de São Paulo e negou que esteja foragido. Afirmou que pretendia se entregar em 24 horas, após se organizar com os advogados. Também negou conhecer integrantes do PCC e rejeitou ser proprietário da Transwolff. “Nunca tive um carro”, declarou, ao questionar como poderia ser dono de um grupo com 600 cooperados.




