A possibilidade de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal já era avaliada pelo ministro do STF André Mendonça havia cerca de um mês. A decisão foi tomada depois que Alexandre de Moraes acusou o colega de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade com base em um relatório de inteligência atribuído à PF.
No início de agosto, Mendonça sinalizou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que uma medida poderia ser necessária. O ministro suspeitava que Andrei atuasse com viés político para proteger a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. O diretor-geral, por sua vez, relatou a Fachin que Mendonça conduzia os casos Master e INSS para prejudicar pessoas ligadas à esquerda e beneficiar aliados de Flávio Bolsonaro.
Fachin tentou reduzir a tensão em conversas com Mendonça, Andrei e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva. Em uma reunião intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, Mendonça chegou a indicar que pretendia recompor a relação com o diretor da PF e deixou temporariamente de lado o afastamento.
O conflito, porém, continuou. Mendonça reclamava da demora da PF no caso de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Andrei questionava interferências do ministro na autonomia da corporação, incluindo ordens para acessar o acervo bruto das provas reunidas pelos investigadores.
Relatório e decisão
A intenção de afastar Andrei voltou a ganhar força depois que Moraes apresentou o relatório. O documento sustentava que Mendonça teria interferido em provas e direcionado investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com quebra de imparcialidade judicial e favorecimento político.
Mendonça considerou o material inválido e afirmou que a PF o havia monitorado por pelo menos 30 dias em 2026. “A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ impõe a adoção de providências imediatas”, escreveu o ministro.
O afastamento foi submetido ao julgamento virtual da Segunda Turma do STF. Depois da abertura da sessão, às 10h desta terça-feira (8), Gilmar Mendes pediu vista. Kassio Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam os votos e acompanharam integralmente Mendonça, formando maioria em menos de dez minutos. Dias Toffoli integra o colegiado, mas sua participação é incerta porque se declarou suspeito em casos envolvendo o Master.
Os atritos entre Mendonça e Andrei começaram nas apurações das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Integrantes da cúpula da PF afirmam que a abertura de três frentes contra Lulinha e uma operação contra o senador Jaques Wagner mostram que não houve uso político. Também citam os prazos para autorizar diligências: nove dias contra Wagner, 29 dias contra Ciro Nogueira e 75 dias contra Claudio Castro.
Mendonça afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência, sem se submeter a pressões, e que busca garantir a integridade das investigações e o devido processo legal.




