São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Política

Menções em áudio e depoimentos embasaram prisão de Milton Leite

Documentos citam duas circunstâncias ligando o ex-vereador a empresas investigadas por suposta infiltração do PCC no transporte de São Paulo.

Menções em áudio e depoimentos embasaram prisão de Milton Leite

A prisão do ex-vereador Milton Leite (União Brasil) foi baseada principalmente em duas menções ao nome dele: uma em áudio extraído de celular apreendido e outra em depoimentos de policiais à Corregedoria da Polícia Militar. Os registros constam de documentos da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo.

As citações tratam de supostas conexões de Milton com empresas investigadas na Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 para apurar a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo por ônibus da cidade de São Paulo. As representações policiais e do Ministério Público não apontam pagamentos ou vínculos societários do ex-vereador com as empresas ou pessoas investigadas.

Em 11 de julho de 2024, José Daniel Satilite, sócio da Translider, conversou por aplicativo com um advogado sobre a possível substituição da UPBus nas concessões de linhas da capital paulista. Satilite afirmou que seria necessário envolver Milton Leite nas tratativas. Segundo a Promotoria, Satilite e o advogado são suspeitos de integrar o PCC, assim como Milton Milreu, apontado como responsável pela sugestão de procurar o então vereador.

“Eu falei com o doutor Milton [Milreu], referente à substituição da UPBus pela nossa empresa, lá, querendo ou não vai envolver o Milton Leite”, disse Satilite no áudio. Quatro dias depois, em outra gravação, ele afirmou: “Acho que vai envolver Milton Leite, esse pessoal todo.”

O mesmo conjunto de mensagens registra que um representante de Satilite se encontraria com Levi dos Santos Oliveira, então presidente da SPTrans, órgão municipal responsável pelo gerenciamento do transporte por ônibus.

Depoimentos e decisão judicial

A decisão que decretou a prisão também menciona relatos de policiais militares investigados segundo os quais Milton seria o dono de fato da Transwolff. Em fevereiro de 2026, Alexandre Aleixo Romano Cezário declarou que o ex-vereador seria o verdadeiro proprietário e que os diretores formais atuariam como laranjas. O policial, porém, disse que apenas ouvia dizer isso e não tinha provas.

O capitão Alexandre Paulino Vieira apresentou versão diferente. Ele afirmou desconhecer qualquer relação de Milton ou de familiares dele com a Transwolff e negou ter recebido ordens do ex-parlamentar sobre empresas de transporte.

Outra mensagem, de 18 de agosto de 2023, mencionava a inauguração de uma escola batizada com o nome da mãe do “chefe Milton”. A investigação atribuiu inicialmente o envio ao sargento reformado Nereu Aparecido Alves e identificou o local como o Centro de Educação Infantil Nathalia Pereira da Silva. Em 19 de fevereiro de 2026, Nereu negou ter escrito a mensagem ou participado da inauguração.

A primeira instância havia rejeitado o pedido de prisão do Ministério Público contra Milton e outros 12 dos 16 investigados. A ordem foi expedida após recurso à 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Milton não foi encontrado em casa e afirmou por telefone que estava fora de São Paulo e não era foragido. “Vou me entregar em 24 horas”, disse na manhã desta quinta (17). Ele negou qualquer vínculo com o PCC. As representações da polícia e do Ministério Público somam 570 páginas.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.