BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Donald Trump tem dito a interlocutores que não pretende interferir nas eleições brasileiras. Em entrevista à CNN Internacional, Lula avaliou que a postura é adequada e defendeu que o processo eleitoral seja tratado como um assunto interno do Brasil, sem ingerência da Casa Branca.
“Ele já disse a muitas pessoas que não interferirá nas eleições brasileiras”, declarou Lula à jornalista Christiane Amanpour, em Nova York. A entrevista foi gravada pela manhã e exibida durante a tarde desta segunda-feira, 21.
O presidente disse, porém, que o Brasil identificou alguns indícios de interferência por meio do uso de inteligência artificial, sem apresentar detalhes sobre os casos. Lula também afirmou que não quer qualquer tipo de interferência dos Estados Unidos.
Disputa eleitoral
Ao comentar a eleição, Lula associou o senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ao negacionismo. Ele disse que a disputa envolve a escolha entre democracia e barbárie e afirmou que seu governo busca políticas voltadas à inclusão social, à educação e à saúde.
Questionado sobre a disputa apertada indicada pelas pesquisas de intenção de voto, o presidente declarou ter certeza da vitória, mas admitiu preocupação com o pleito. Também elogiou o sistema eletrônico de votação adotado no Brasil e afirmou que não há contestação do resultado eleitoral.
Relação comercial com os Estados Unidos
Na mesma entrevista, Lula criticou a adoção de medidas comerciais unilaterais por Trump e defendeu o multilateralismo. O presidente brasileiro afirmou que pretende continuar negociando com os Estados Unidos e que é cauteloso sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade enquanto houver tratativas.
Lula disse que o Brasil busca novos parceiros comerciais e criticou o tarifaço. Também afirmou que não pretende confrontar Trump nem interferir em questões domésticas dos Estados Unidos, mas declarou que o governo norte-americano não pode governar outros países.
Lula chegou a Nova York no domingo, 20. Nesta terça-feira, 22, fará o discurso do Brasil na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Não há confirmação de encontro bilateral com Trump.
Os Estados Unidos mantêm uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, aplicada em 22 de julho. Em 24 de julho, Trump estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% após uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O governo brasileiro questionou as medidas na Organização Mundial do Comércio e afirmou que elas são incompatíveis com as regras do comércio internacional.



