RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou para uma “crise sem precedentes” caso precise exercer um quarto mandato com minoria no Senado. A declaração ocorreu após vaias ao deputado Pedro Paulo (PSD), candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, em um evento presidencial nesta quarta-feira (23).
A base petista apoia Benedita da Silva (PT) para uma das vagas, mas está dividida na disputa pela segunda cadeira entre Pedro Paulo e a vereadora Mônica Benício (PSOL). Os três aparecem próximos nas pesquisas, que também incluem candidatos do PL e nomes de direita como Marcelo Crivella (Republicanos).
Pedro Paulo foi vaiado depois de ser citado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), durante encontro com artistas. O público manifestou apoio a Benício, enquanto Lula defendeu a aliança. “Não temos mais idade para brincar. O que está em jogo é muito sério”, afirmou o presidente.
O tema voltou à agenda na quinta-feira (24), em São Gonçalo, onde Lula esteve ao lado de Pedro Paulo. Nas duas ocasiões, o presidente mencionou a divisão da esquerda no Rio Grande do Norte em 2022. Naquele ano, Rafael Motta (PSB) concorreu de forma independente contra Carlos Eduardo Alves (PDT), ambos da base lulista. Rogério Marinho (PL) venceu com 41,8% dos votos, ante 33,4% de Carlos Eduardo e 22,8% de Rafael Motta.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24), Pedro Paulo tinha 9% das intenções de voto, e Mônica Benício, 6%. Benedita aparecia com 19%; Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL), com 12% cada; e Crivella, com 7%.
A fragmentação também preocupa a base de Lula em estados do Nordeste e em outras regiões. Em Pernambuco, Mendonça Filho (PL) disputa com Marília Arraes (PDT), Humberto Costa (PT), Túlio Gadêlha (PSD) e Paulo Rubem Santiago (Rede). No Rio Grande do Norte, a chapa petista reúne Samanda (PT) e Rafael Motta (PDT), enquanto Zenaide Maia (PSD), Sandro Pimentel (PSOL) e Sonia Godeiro (PSOL) também buscam votos lulistas. Styvenson Valentim (Podemos) lidera as pesquisas.
No Maranhão, Eliziane Gama (PT), Weverton Rocha (PDT), André Fufuca (PP), Roseana Sarney (MDB) e Enilton Rodrigues (PSOL) apoiam o presidente. No Pará, Eder Mauro (PL) aparece como nome competitivo para a segunda vaga, enquanto Chicão (União Brasil), Celso Sabino (PDT), Conti e Gizelle Freitas (PSOL) disputam espaço no campo lulista.
Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner tentam conquistar as duas vagas para o Senado, mas Delliana Ricelli (PSOL) também recebe apoio de setores da esquerda. João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) representam a disputa no campo da direita.



