RIO DE JANEIRO — O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro recebeu a denúncia do Ministério Público e abriu ação penal contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias. Ele é acusado de associação para o tráfico de drogas.
Também se tornaram réus três ex-assessores que trabalhavam com o parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
Acusações do Ministério Público
A denúncia afirma que TH Joias teria usado o mandato para nomear assessores ligados ao Comando Vermelho. Entre eles está Gabriel Dias de Oliveira, descrito como tesoureiro da facção. Segundo o Ministério Público, Dias também guardaria dinheiro, faria pagamentos, armazenaria drogas e participaria da compra e venda de munições.
Fernanda Ferreira Castro, mulher de Gabriel, também ocupou cargo na Alerj e chegou a ser indicada para a direção da Casa. Luiz Eduardo Cunha Gonçalves é acusado de vender equipamentos antidrones, testar os aparelhos e ensinar como utilizá-los.
A acusação inclui mensagens e fotografias relacionadas à negociação de um fuzil. Em abril de 2024, Gabriel recebeu imagens de uma arma e de munição; a negociação, conforme a denúncia, seria concluída na casa de TH Joias. Há ainda mensagens que indicariam a participação do ex-deputado na busca por comprador ou fornecedor de uma carga de cocaína em 2023.
As defesas tiveram posições distintas. Halan Correa Gomes Euphrazio, advogado de Fernanda, afirmou que “durante o decorrer do processo irá comprovar a inocência” da cliente. Carlos Lube, que defende Luiz Eduardo, disse que só se manifestará após a lavratura do acórdão. Os demais defensores não foram localizados ou identificados.
No último dia 11, TH Joias também virou réu no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A decisão determinou sua transferência para uma penitenciária federal. Nesse processo, o Ministério Público Federal aponta uma estrutura para o comércio ilegal de armas trazidas do Paraguai para comunidades do Rio, com integrantes ligados à Alerj e a secretarias estaduais.
Os processos estadual e federal são distintos, embora semelhantes. O desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo rejeitou a alegação das defesas de que haveria dois processos idênticos em andamento.




