BRASÍLIA — Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro registram um jantar com Alexandre Padilha e Olavo Noleto em uma casa do então banqueiro, em Brasília, em 23 de outubro de 2024. O encontro não apareceu na agenda pública do ministro.
Na ocasião, Padilha comandava a Secretaria de Relações Institucionais, e Noleto era secretário-executivo da pasta. Atualmente, Noleto preside a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O jantar foi marcado para as 22h e reuniu cinco pessoas: Padilha, Noleto, um primo de Vorcaro, um assessor do ministro e Júlio Cezar, dono de uma consultoria.
Em 22 de outubro, Júlio Cezar escreveu a Vorcaro: “Daniel, acertado !!!! Padilha e Olavo amanhã às 22 horas , um jantar contigo em bsb [Brasília]. Combinado ?!”. No dia seguinte, informou que os convidados estavam no portão da residência.
Naquela data, Padilha participou à tarde de um evento do Programa de Aceleração do Crescimento em Natal e, às 20h30, foi ao lançamento de um livro em homenagem ao ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal. Procurados, Padilha e Noleto não detalharam o que foi discutido. A assessoria do ministro afirmou que não houve desdobramento relacionado ao encontro.
Contatos e interesses na Saúde
As mensagens também indicam contatos anteriores entre Vorcaro e Noleto, intermediados por Walfrido dos Mares Guia. Em março de 2024, Mares Guia disse que Noleto, então braço direito de Padilha, havia informado ter gostado de Vorcaro.
Naquele período, Vorcaro havia comprado 25% das ações da farmacêutica Biomm. A empresa firmou, no ano seguinte, parceria com o governo para fornecer insulina ao Ministério da Saúde. Em abril, Vorcaro mencionou a Mares Guia que não participaria da inauguração da fábrica da Biomm em Nova Lima, com a presença de Lula.
Depois do jantar, em 25 de outubro, Vorcaro disse a Mares Guia que precisava encontrar Lula. A reunião ocorreu em 4 de dezembro, no Palácio do Planalto, com intermediação de Guido Mantega. Vorcaro teria tratado da concentração do mercado bancário, e Lula teria encaminhado a análise técnica ao Banco Central, presidido por Gabriel Galípolo.
Em nota, a Anvisa afirmou que Leandro Pinheiro Safatle nunca teve relação ou contato com Vorcaro. O órgão também disse que a Biomm recebeu o mesmo tratamento dado às empresas do setor regulado e que, em julho de 2026, negou um pedido de registro de caneta agonista de GLP-1 da companhia.



