Cinco dos nove governadores que assumiram o cargo em abril deste ano aparecem atrás dos principais adversários nas pesquisas de intenção de voto para 2026, segundo a primeira rodada de levantamentos da Quaest nos estados. O grupo representa metade dos candidatos à reeleição que chegaram ao governo após a renúncia dos titulares eleitos em 2022.
Entre os nove governadores com mandato curto, os líderes das pesquisas estão em Goiás, Espírito Santo, Paraíba e Distrito Federal. Os demais aparecem numericamente atrás no Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso e Minas Gerais.
Mateus Simões (PSD), governador de Minas Gerais, está numericamente em quarto lugar. As gestões de Simões e do ex-governador Romeu Zema (Novo) têm mais avaliações positivas do que negativas, de acordo com a Quaest. Mesmo assim, PL e Republicanos deixaram a aliança, e Simões corre o risco de não chegar ao segundo turno.
No Acre, Mailza Assis (PP) enfrenta baixa familiaridade do eleitorado e cobranças relacionadas a investigações policiais contra seu antecessor, Gladson Cameli (PP), que está inelegível. No Pará, Hana Ghassan (MDB) disputa de forma acirrada com Dr Daniel (Podemos), ex-prefeito de Ananindeua.
Diferença entre mandatos
Dos 18 governadores que disputarão a reeleição em 2026, nove ocupam o cargo desde a eleição de 2022. A taxa média de reeleição dos governadores que cumpriram os quatro anos de mandato foi de 74% desde a última década, com pico de 94% em 2022. Entre os governadores com mandatos curtos, a média desde 2010 foi de 51%.
O cientista político Josué Medeiros, professor da UFRJ, afirmou que mudanças próximas da eleição dificultam a transferência da melhora na avaliação do governo para o sucessor. Segundo ele, os vices também têm menos reconhecimento público e algumas trocas provocam crises políticas locais.
Entre os governadores que buscam um novo mandato após quatro anos completos no cargo, os candidatos lideram em São Paulo, Sergipe, Santa Catarina, Pernambuco e Mato Grosso do Sul. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) está tecnicamente empatado com ACM Neto (União). No Amapá e no Ceará, Clécio Luís (Solidariedade) e Elmano de Freitas (PT) aparecem distantes da liderança.
Histórico eleitoral
Em 2022, 18 governadores foram reconduzidos, sendo 15 com quatro anos de mandato e três que haviam assumido o cargo durante o ciclo anterior. Em 2018, dez candidatos à reeleição foram derrotados. Naquele ano, 57% dos governadores com mandato completo foram reeleitos, contra 33% dos que haviam assumido perto da eleição: dois entre seis candidatos.
A maior taxa de sucesso entre governadores com mandato curto ocorreu em 2010, quando seis venceram e cinco perderam. Entre os nove candidatos que vinham de um mandato completo, sete foram reeleitos.
Para Marco Antônio Teixeira, professor da FGV/EAESP, o conhecimento do eleitorado favorece governadores já conhecidos. Em 2010, houve 13 reeleições e outros quatro governadores foram eleitos com apoio do titular. Em 2014, três eleitos tiveram esse apoio; em 2018, apenas um. Em 2022, além dos 18 governadores reeleitos, seis candidatos venceram com apoio do então ocupante do cargo.



